Por Carolina Cavalcanti Pedrosa

Paul Celan, poetizou:

“Um Ribombar; é
a própria verdade 
que entre as pessoas
surgiu,
em meio
ao
turbilhão de metáforas.”

 

Tão verdadeiro quanto quando foi escrito. Dos relacionamentos surge um clarão, o momento da verdade, se me permite, o momento em que há “Um Ribombar”: a desilusão dos sentidos, o enxergar por trás das máscaras, além das projeções, egos e invenções. Por enxergar o que se perde “em meio ao turbilhão de metáforas.”


Morfeus já dizia: a pílula azul te devolve para o torpor em que se encontra, seguro, mas irreal. É preciso tomar a pílula vermelha para que possamos realmente nos enxergar, e assim, ver o mundo – real, a nossa volta.
A liberdade traz com ela desconstruções, ruínas, mas também um novo caminho a trilhar: para dentro, em direção a quem realmente se é.

Cito Paul Celan, poeta sobrevivente de guerra, e Matrix, filme que fala também de guerra, aquela que travamos com nossas próprias identidades.

Macabéa é construída por Rodrigo S. M. construído por Clarice (quem a construiu?). Ela existe, porém, está no papel. É tão real quanto eu, você ou a própria Clarice.

Na história de nossas vidas, realidades se chocam. Somos diariamente confrontados com verdades, jogados contra elas e por vezes arranhados. Somos desnudados para que, então, possamos florescer.

Nem tudo vem para ficar. Nem todos te querem bem. Aquela inocência infantil uma hora morrerá. Ou melhor, irá se transformar, em uma bela energia de força e de coragem, que te faz continuar. Se os acontecimentos recentes ensinaram algo é que não podemos profetizar o Ribombar, ele vem sem avisos e muda tudo ao nosso redor. Afinal, já que desta viagem não sairemos vivos, embarquemos “com tudo o que lá dentro cabe, mesmo que sem fala” (P. Celan), inteiros, completos e verdadeiros em quem somos por trás das metáforas.

*Para ler mais colunas da nossa Carol acesse: Cartas de Carolina