Coluna Cartas de Carolina


Por Carolina Cavalcanti Pedrosa

Com muita honra dou início a esta coluna. Sou muito grata ao querido Igor Calazans pelo convite e espaço. Obrigada pela parceria de sempre!

Inicio me apresentando. Meu nome é Carolina, nasci em Curitiba-PR, onde moro, e desde sempre sou apaixonada pelas palavras, pela literatura e pelo cinema. Formada em direito, me redescobri escritora já por volta dos meus 30 anos, quando embarquei de vez nessa aventura. Meus escritos passeiam pela reflexão, poesia, literatura, cinema, e sobre tudo o que cabe dentro disso, não procuro me rotular. Para este espaço, quero trazer um pouco de tudo isso, e espero que venha comigo nesta jornada.

Para iniciar, irei falar de um livro, de um filme e concluir com um poema de minha autoria, inédito. Vamos juntos?

100 anos de Clarice

Começamos pelo livro, um dos meus favoritos, ao qual sempre recorro quando sinto necessidade: “A Hora da Estrela”, de Clarice Lispector.

Clarice dispensa apresentações, e neste ano de seu centenário, está em voga novamente. Muitas as produções que estão sendo feitas em seu nome, inclusive, no já consagrado Festival de Teatro de Curitiba, que tem início no final deste mês de março, diversas são as peças abordando escritora e obra, estou curiosa, já garanti uma delas, justamente a que faz uma releitura desta linda obra (caso tenha ficado curioso, a peça é “A Hora da Estrela ou O Canto de Macabéa”, um musical estrelado por Laila Garin, Claudia Ventura e Claudio Gabriel).

Para quem não conhece ou não lembra, “A Hora da Estrela” traz camadas dentro de um só livro: Clarice como o narrador Rodrigo S.M. que da luz à narrativa, conversando com o leitor e aos poucos desvelando o conto de Macabéa, uma moça simples, com uma vida simples, que se mistura à própria concepção de sua história, contada magistralmente por uma Clarice inspirada, em uma obra curta, mas extremamente impactante. Daqueles livros para serem lidos e relidos durante toda a vida.

 

Dica de Cinema

No cinema, indico o recém lançado filme italiano “Martin Eden”, adaptação do livro homônimo de Jack London, que recebeu diversos prêmios, inclusive o de melhor ator para Luca Marinelli. Para além disso, o protagonista Martin, assim como Macabéa, e Rodrigo S.M., se mostra alter ego do autor, um escritor em busca de sua voz, no início do século XX, que se encontra preso entre quem é, quem quer ser, e quem precisa ser para que seus sonhos aconteçam. Como toda obra italiana, tem um ritmo próprio, paisagens belíssimas, uma trilha sonora sublime e uma história que prende e arrepia. Recomendo fortemente aos amantes da boa literatura e do cinema.

Poema da semana

Para encerrar, concluo com um poema meu, que traz um pouco da aura de sonhos e imaginação que permeiam as duas obras recomendadas:

“no diário desta paixão
escrevo
viro a página
rasgo tudo
começo de novo
neste diário não há começo
nem meio
nem fim
há poesia
encontros
desencontros
dor
há amor
e um punhado de estrelas”

Por hoje é só, espero que tenha gostado das dicas! Já conhecia algum deles?

Boa leitura e bom filme, e até a próxima! Ah, se quiser saber mais do meu trabalho, www.carolinacavalcantipedrosa.com.br, meu espaço onde compartilho um pouco mais de mim e dos meus escritos.