SOBRE A VIDA
– “Não nascemos para saber. Nascemos para acreditar.”
– “A perda do colo materno deflagrou em mim o escritor e o homem. Minhas memórias são um livro edipiano. Tudo nelas explica os meus livros anteriores: minha prosa e minha poesia.”
– “Se a noite não caísse que seriam dos lampiões?”
– “Bem-vestir aqui nesta canícula irracional seria andar de short e maiô. Não se trataria de nenhuma originalidade e sim, de defesa da própria saúde.”
– “Há uma espécie de redução algébrica dos sentimentos profundos. O homem nasce na Maternidade e morre no Sanatório. O luto sumiu. E a família abraça pelo anúncio fúnebre de um jornal.”
SOBRE O MODERNISMO
– “O modernismo é um diagrama da alta do café, da quebra e da revolução brasileira.”
– “Entre nós, só o Modernismo faria mover a técnica da narrativa, dando-lhe o nervoso dos desenhos animados, as ondas líricas da inconsciência e as alturas da invenção intelectual.”
– “A vitória do Modernismo é indiscutível, como o triunfo do telefone, do avião, do automóvel.”
– “O movimento modernista, culminado no sarampão antropofágico, parecia indicar um fenômeno avançado. São Paulo possuía um poderoso parque industrial. Quem sabe se a alta do café não ia colocar a literatura nova-rica da semicolônia ao lado dos custosos surrealismos imperialistas?”
– “Em 22, nós, da Semana, agimos como semáforos. Anunciamos o que se cumpriu depois, o que está se cumprindo a nossos olhos.”
– “Um dia surgiu a ideia da Semana. A ideia, parece, foi do Di Cavalcanti. Minha não foi, nem de Mário. Nem de Menotti.”
SOBRE A ACADEMIA
– “O Brasil não tem mais gente para suprir os quadros de paralisia senil que fizeram muito tempo da Academia Brasileira de Letras um asilo de impotentes.”
– “Clássico é o que atinge a perfeição de um momento humano e o universaliza. Academismo é cópia, imitação, é falta de personalidade e de força própria.”
– “Como todo bacharel em Direito, não entendo quase nada de leis.”
SOBRE O CAPITALISMO
– “Por instinto e depois conscientemente, sempre repeli esse Direito ali ensinado para engrossar a filosofia do roubo que caracteriza o capitalismo.”
– “Minha vida tem sido um perigoso desafio à realidade, pois sou obrigado a viver nas coordenadas capitalistas em que nasci e nenhuma vocação mais oposta a isso do que a minha. Tenho me arrastado miraculosamente por altos e baixos terríveis.”
SOBRE O BRASIL
– “O Brasil é o maior grilo da história – um grilo de milhões de quilômetros talhados no título morto, de Tordesilhas.”
– “Infelizmente no Brasil não se consegue estudar alguém sem o colocar num torno ou num patíbulo.”
SOBRE SÃO PAULO
– “São Paulo é uma cidade onde até as estátuas andam. É preciso ser árvore para ficar.”
SOBRE A ERUDIÇÃO
– “A massa há de chegar ao biscoito fino que eu fabrico.”
– “A língua ser arcaísmos, sem erudição. Natural e neológica. A contribuição milionário de todos os erros. Como falamos. Como somos.”
– “Só não se inventou uma máquina de fazer versos – havia o poeta parnasiano.”
SOBRE O POETA
– “Trago uma flor de fogo no peito que os médicos chamam, certa ou erradamente, de aortite essencial.”
– “Sou o toureador que jamais matará o touro e que não tem direito a aposentadoria.”
– “”Meu temperamento traz duas constantes que dialeticamente se revezam. Sofro como Dostoiévski e arrisco como Nietzsche. Isso faz de meus dias um bolo dramático sem fim.”
– “Na solidão sou soturno e amlético [sic]. Em público, afirmativo e solar.”
– “”Isto é o que quero eu. Vida de Far-West e de preguiça colonial – estética helênica e renascentista, eis o que querem os outros.”
– “O meu destino é de um paraquedista que se lança sobre uma formação inimiga: ser estraçalhado.”
SOBRE A VELHICE
– “Nasce-se velho, cheiro de taras, preconceitos e hábitos vetustos, mas pouco a pouco a idade traz em si a juventude. De modo que, ao me despedir e agradecer, declaro para uso de quem quiser que há uma nova categoria. Sexagenário não, mas sex-appeal-genário.”
– “Acontece teres as crianças ereção no primeiro mês de vida e iniciarem um inútil período de masturbação, enquanto homens de quarenta anos e menos perdem estupidamente a potência para viver dezenas de anos como cadáveres.”
SOBRE A CRÍTICA
– “Quando é para falar mal, falo mal até de minha própria família. Toda a minha vida se pautou por uma grande lealdade a mim mesmo.”
– “Nunca fiz um comentário que tivesse maldade. Jamais quis mal a alguém deliberadamente. Todas as minhas críticas eu as fiz sem a menor sombra de ódio ou rancor. Elas foram sempre humildes e até ingênuas, às vezes.”
– “O crítico de livros é muitas vezes, o avesso amargo do panfletário, pois, se ele aliás quiser apenas indicar benevolamente o que se deve ler ou sentir está despedido de suas funções. O que interessa na crítica é a maldade.”
SOBRE A FÉ
– “Supersticioso e religioso de formação, nunca perdi essas taras, mesmo adotando um credo materialista.”
– “Tenho a fé abundante. Cheguei a acreditar até em banqueiro.”
SOBRE A OPINIÃO
– “Gosto de propor meus pontos de vista, ensinar o que sei, ainda que errado, e investir mesmo no que não sei.”
SOBRE A BURGUESIA
– “Continuei na burguesia, de que mais que aliado, fui índice cretino, sentimental e poético.”
– “Do meu fundamental anarquismo jorrava sempre um fonte sadia, o sarcasmo. Servi a burguesia sem nela crer.”
SOBRE A VERDADE
– “A verdade é sempre a realidade interpretada, acomodada a um fim construtivo e pedagógico, é a gestalt que suprime a dispersão do detalhe e a inutilidade do efêmero.”
SOBRE A HUMANIDADE
– “O que a humanidade quer é pretexto para viajar, mesmo que seja a carnificina do Santo Sepulcro.”
SOBRE A LITERATURA BRASILEIRA
– “As letras brasileiras possuem três autores fundamentais: Machado, Euclides e Mário de Andrade.”
SOBRE A PSICOLOGIA
– “Para certos psicanalistas e literatos é preciso conservar os porões e a promiscuidade suja das atuais habitações coletivas, para que se salves, de um lado, o lirismo e, do outro, os doentes que eles querem curar.”