Uma das personalidades mais importantes do cenário poético no Rio de Janeiro dos últimos 30 anos, a poeta, editora e tradutora, Thereza Christina Rocque da Motta faleceu na manhã deste Sábado de Aleluia, dia 04 de abril, aos 69 anos. Segundo os primeiros relatos, ela teve um infarto fulminante em casa, na cidade de Niterói. A família informou que o velório acontecerá na próxima segunda-feira, 06, das 10h às 13h, no Cemitério da Penitência, Capela 2, no Caju.
Thereza Christina Rocque da Motta nasceu no dia 10 de julho de 1957, em São Paulo (SP). Formada em Direito, ela foi editora-fundadora da Ibis Libris. Foi membro da Academia Brasileira de Poesia (Petrópolis-RJ) e desde 1999 coordenava o sarau poético “Ponte de Versos”, um dos mais prestigiados eventos de literatura no Rio de Janeiro. Publicou: Relógio de sol (1980), Papel Arroz (1981), Joio & trigo (1982), Areal (1995), Sabbath (1998), Alba (2001), Breve anunciação (2013), As liras de Marília (2013), Capitu (2014), Minha mão contém palavras que não escrevo (2017), Poesia Reunida 40 anos (1980-2020), Sherazade (2022), O jardim de jacintos de Madame Sosostris (2025) e Lilases, edição bilíngue, em segunda edição.
Traduziu Marley & Eu (2006), 154 Sonetos de Shakespeare (2009), Alice no País das Maravilhas, de Lewis Caroll, Mais mortais que os homens, org. Graeme Davis (2021) e A última casa da Rua Needless, de Catriona Ward (2023). Recebeu a Medalha Chiquinha Gonzaga da Câmara dos Vereadores em 18 de agosto de 2021, por seus serviços culturais à Cidade do Rio de Janeiro.
48.
AGORA TUDO ACABOU: E ESTOU FELIZ QUE TENHA ACABADO.
Findos os dias, o que nos resta?
A manhã e o longo apito dos navios.
Partir é quase um esquecimento.
Enfrentamos o anoitecer e outra aurora,
esse orvalho tardio sobre os olhos,
lavando-os de toda lembrança.
Levantamo-nos e seguimos, sem mais ninguém à espera.
Ainda assim, está em tempo.
Thereza Christina Rocque da Motta,
Rio de Janeiro, 04/10/2021 – 14h57
*Poema do livro “O JARDIM DOS JACINTOS DE MADAME SOSOSTRIS”, Editora Ibis Libres, 2025.