Du Lulu nasceu em Hefei, na província de Anhui, China, em 1979. As principais publicações da poeta são Aproximar (2006), Ilha da Aventura (2013), Ela não Encontrou o Cavalo Marrom (2014), Vamos Falar sobre a Chama Adequada (2015) e O Mistério de uma Pólis (2021). Du Lulu ganhou diversos prêmios, entre eles o Prêmio Poeta Jovem do Festival de Poesia Internacional do Rio das Pérolas e o Prêmio Poesia de Outubro. Atualmente mora em Guangzhi.

O Fantasma

Depois de ler isto —
Coisas não realizáveis,
Afundam no rio
Nossa energia é imensa,
Para descrever as mudanças sutis de estilo.
– Quem morrerá na água límpida?
Olhando do sudoeste para o sudeste,
Chuva noturna no planalto,
Ouvimos da pessoa enigmática a palavra útil.

Viva um dia,
E este dia não será tranquilo,
Ele veio, ele se foi
Controlando a vastidão dos outros.
Ele é exigente como o pai,
Nos vestiu, colocou os cintos
Tudo o que devia ver foi visto.
O vergonhoso caos se pratica na natureza.
Fizemos mais filhos —
Negligenciados, inoportunos.

O sentido viscoso da linguagem
Segregou os bons em elogios
Neste cenário, o uso racional do poder de controle é
Maior do que a ondulação da terra da fantasia
“Esse é o jeito de colonizar países estrangeiros,
Os falantes de chinês vão aprender a ágil língua animal
E uma resistência inútil –”

Nosso alvo está longe demais,
O velho rio já está decadente,
Sentimentos em fluxo,
O ânimo está no seu tom declinante.

– Suas águas correndo para a desaparição
Enchem nossos colarinhos,
Desabam,
Confluindo para uma acumulação de barcos —
Saudamos e subimos nos seus ombros
Trêmulos.
Comemos sua língua, seu poder
Com ele fazemos uma bola,
Atiramos ao fundo do rio.

Senhor, adeus.

Como o mar profundo

Quem suga estes dois amantes, é a doçura,
Estão com a água quase até o pescoço
Parece espesso açúcar, que no fogo
Amolece,
Moldando para eles delicada, rígida concha.

Duas pessoas receosas,
Nadam para dentro do mar.
Não se beijam,
Mas comem a cor dos lábios um do outro,
Feito mel, perfumado.

A doçura se propaga na água —
Em ondas que se levantam.
A baleia também veio,
Para servir de montaria.

As duas pessoas pela água unidas,
Sentadas nas costas da baleia
Vão para o mar profundo.

Na selva, nas rochas
Em todos os lugares estão penduradas
As palavras dos mestres perdidos.
— Nestes passados hesitantes,
As sílabas nunca formadas,
As vozes presas pelas línguas enroladas.

O silêncio delas!
Ah, neste momento,
Eles realmente não podem se ver.
Entre ele e ela, existe a macia, sólida
Água do mar,
Incontável doçura.

O mundo de amanhã

Ainda que não haja árvores, lama ou rios
Aqueles presunçosos que vieram antes e os que vêm depois
.                                                                   [partem nos seus cavalos
Repare neste momento a luz-sombra que cai
Sobe levemente, parece um vacilante ferrão de dor no nevoeiro
Bloqueando a estrada, incerto amanhã.

Mesmo se ninguém nunca esteve aqui,
À beira do precipício param dois ou três abutres,
Estão demasiado fracos, não aparecem cadáveres há muito tempo
As pedras escaldantes estão fervendo desde o princípio,
Aceitar o destino-queda deles
Significa a minha própria extinção?

Suponha que os de cima estejam numa dimensão virtual da
.                                                                                         [paisagem,
Agora, num lugar paralelo a ela
Há árvores, águas limpas
À cavalo um sem-fim de turistas observa flores
Desgraçados, os abutres meio-mortos não vivem
São criados dentro de um ninho
Nos concedendo a oportunidade de, ao apontar o dedo, nos
.                                                                                     [deleitamos.

Nós os urbanos, adoramos criar
Bichos que voam ou andam no chão, seres exóticos
Também os da nossa espécie têm como meta–
Debaixo de árvores flutuantes no vazio, no rio
Construir casas para
Criar moças, patrões, jovens.

Gente de cara feia e sem cara.
De dia várias vezes damos de comer
Generosamente cortamos os crânios dos oponentes, descascando
.                                                                                                  [os nervos
Para fazer um nó de forca e pendurá-los na árvore cada vez
.                                                                                           [mais frondosa
Enforcamos por diversão. — Assassinos!
Não neguem!

Em tempos escuros,
Quem pode segurar a mão de quem, pedir compaixão e amor,
E a confiança há muito perdida,
Deixando as palavras virarem brisa suave, seguindo as folhas caídas
Aguardando o melhor momento para agir,
Na luz oscilante flutuar para um outro lugar.
Um mundo inverso ao esperado.
Ou seja,
Um amanhã que não existe.

*Poemas do livro “as formas do mar”, Edições Jabuticaba, 2025.
traduções de Inez Zhou e Dora Ribeiro