Jorge Manrique nasceu em Paredes de Nava, Espanha, em 1440. Poeta, nobre e militar, foi Senhor de Belmontejo, comendador de Montizón, membro dos Treze da Ordem de Santiago e duque de Montalvo, destacando-se tanto nas armas quanto nas letras. Filho de Dom Rodrigo Manrique, Grão-Mestre da Ordem de Santiago, participou ativamente da Guerra de Sucessão de Castela, apoiando o partido isabelista. Como poeta, deixou uma das obras mais célebres da literatura espanhola: “Coplas por la muerte de su padre”, texto que se tornou um clássico atemporal.
Faleceu em 24 de abril de 1479, em Santa María del Campo, aos 39 anos.
VI
. Este mundo seria bom
se bem usássemos
. como deveríamos,
porque, segundo a nossa fé,
é para ganharmos aquilo
. que buscamos;
e até mesmo o filho de Deus,
para nos elevar ao céu,
. desceu
e veio nascer aqui entre nós
e viver nesta terra
. onde morreu.
XI
. Os estados e as riquezas,
que nos deixam em desordem,
. quem duvida!
Não lhe pedimos firmeza,
pois que são de uma senhora
, em mudança:
que bens de fortuna
remexe com sua roda
. apressada,
a qual não pode ser uma
nem ser estável nem permanecer
. em um coisa só.
XX
. Pois seu irmão é inocente,
que em sua vida foi considerado
. seu sucessor,
que corte tão excelente
teve, e que grande senhor
. ele seguiu;
mas como se fosse mortal,
meteu a morte logo
. em sua forja.
O juízo divinal,
quando mais ardia o fogo,
. encheu de água!
IV
Deixo as invocações
dos famosos poetas
e oradores;
não me curo de suas ficções,
que trazem seus sabores
em ervas secretas.
Para aquela terra me direciono,
para aquela terra invoco-me
de verdade,
que neste mundo bem-vindo,
o mundo não conheceu
sua deidade.
*Poemas do livro “Lembre-se da Alma Adormecida”, Mondadori, 1999.
Tradução de Igor Calazans para o Recanto do Poeta