Eduardo Sterzi nasceu em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, em 7 de junho de 1973. Poeta, jornalista e crítico literário, trabalhou no jornal Zero Hora e foi um dos editores da revista de poesias Cacto e de K Jornal de Crítica. Em relação à poesia, publicou os seguintes livros: “Rosa” (2001) – Editora do Instituto Estadual do Livro, “O aleijão” (2009) – Editora 7Letras, “Maus poemas” (2016) – Editora 7Letras e “Juventude eterna: a poesia do mito e o mito do poeta” (2025) – Círculo de Poemas.

17H36

A tarde é ouro falso
vazando para o quarto.

O sangue das cobertas,
coagulado, não veda

as janelas. Dormir,
ainda que por um triz,

adianta o morrer: peixe
arpoado pela luz.

RINHA

a experiência resumida
(janela, noite, livro)
já não te convém?

a palavra
sem víscera
não convence?

que vença o melhor,
e o melhor
já tem sangue nos dentes

*
A Lua
é
só mais um canivete
na coleção de armas
brancas.

LETES

“Como apagar
a memória
de um cheiro
específico?” aquele
da nuca
úmida e
quente
depois
do sexo.

Ela me disse que nunca. Eu
não disse que não.

TERRA: ÁGUA

um punhado de terra
molhada, sem que eu saiba
se sangue, saliva ou água,

é a forma do silêncio
nessas tardes aguadas
em que a chuva cai reta

*Poemas do livro “Aleijão”, Editora 7 Letras, 2009.