Ricardo Máximo nasceu no Rio de Janeiro (RJ), a 3 de agosto de 1949. Poeta, escritor e professor, formou-se em Letras na Universidade de Sorbonne, na França, e deu aula na Universidade Cândido Mendes, de 1997 a 2017, e no Colégio Metodista Bennett de 1992 a 1997. Como autor, são 15 livros publicados, sendo o mais recente, “Elforias”, lançado em 2024.

O ODOR DUM HOMEM

Sabem qual deve ser
O odor do corpo dum homem?
Dum homem que nasceu
Para amar a mulher?
Deve ser o do mar
Que noite e dia
Não renega a maresia;
O homem amante
Deve ser fragrante
Como o mar
Que na mulher se
Propicia.

DO ÍNTIMO INSETO

O inseto fugido das chuvas,
Acaba de refugiar-se
Entre meus pelos pubianos;
Não consigo expulsá-lo,
Porque localizá-lo não me foi dado;
Tanto melhor,
Que é a primeira vida
A aproximar-se de meu corpo,
Após uma trinca de meses.

INVOCAÇÃO DOS VENTOS

Ô ventos,
Ô entidades,
Ô poderes anônimos,
Que precisarão de beijar
A boca desta mulher;
Que severo carecimento
De cobrir seus lábios
Com a carne rubra
Com que palavras artículo
E quanta necessidade
De com minha língua
Dialogar com sua língua
Na língua magistral dos beijos.

DO TIGRE E DO CAVALO E DO CONDOR

O tigre que eu não nasci,
O cavalo que não me
Engendrei, o condor
A cuja altura me não
Credenciei e o poeta
Que ousei querer ser
Rebaixando o pai
E o amante e o homem.

A DESPEDIDA DAS PÉTALAS

Com que leviandade deixamos
Morrer os dias;
Das flores as pétalas se
Despedem com maior pompa
E circunstância;
Os dias caem
Da árvore do tempo
Como os fios das humanas
Cabeleiras:
Não há vozes que os
Nomeiem,
Não há gritos que os
Identifiquem,
Não há memória que os
Interpele;
No entanto
O adeus dos dias se
Apropria
De parte de nossa carne
E nos mutila um pouco
E, pouco a pouco,
Sorrateiro nos
Suprime por inteiro.

*Poemas do livro “Intihuatana”, Editora Oitoemeio, 2009.