Paula Padilha nasceu no Rio de Janeiro, em 1961. Poeta e professora de filosofia e história da educação no Curso de formação de professores do Pró-Saber, possui dois livros publicados: “olhar descalço” (Editora da palavra, 2001) e “tempo inteiro” (Bem-te-vi, 2007), além de publicações em jornais e revistas do ramo.
força motora
essa tentativa do exato
mesmo que distante
a vontade e nome próprio
quando o fluxo prossegue
a rede posta ante o salto
no incompreensível
de onde vem?
fresta da noite
o silêncio reverbera
pela janela ainda acesa
dentro vozes conspiram
a derradeira possibilidade
promessas invertebradas
ocupam o espaço da dúvida
haverá amor nessas falas?
transição permitida
se ainda houver faísca
em meu olhar distante
algo ficou por dizer
nesse breu de notícias
a última palavra
permanece intacta
no céu da memória
à espera da química
que transforme o beco
avenida
o discurso e as mãos
o discurso não cotinha verdade
ensaio em diminuto pensamento
e o instante só revelou a sua face
quando as mãos tocaram o desconcerto
pelos dedos o nó da eternidade
refez-se quando a fala era mais grave
e a memória trazida pelo tato
instaurou dois sorrisos frente a frente
*Poemas do livro “Tempo Inteiro”, Editora Bem-Te-Vi, 2007.