James Mercer Langston Hughes nasceu em Joplin, Missouri, Estados Unidos, no dia 1 de fevereiro de 1902. Poeta, ativista social, novelista, dramaturgo e colunista de jornal. Mudou-se para Nova Iorque ainda muito jovem onde foi um dos pioneiros na então nova forma de arte literária, o “jazz poetry”. Hughes é mais conhecido como um dos líderes do movimento Renascimento do Harlem. Morreu em 22 de maio de 1967, em Nova Iorque, aos 65 anos.

SABEDORIA E GUERRA

Não damos a mínima –
Isso está bem claro.
Não tantos de nós
Ligamos
Por aí.

Não somos sábios –
Por essa razão,
A humanidade morre.

Pensar
Vai contra
A vontade.

Melhor –
E mais fácil –
Matar.

TIO TOM*

Dentro –
O orgulho perdido.
Sem –
A cara risonha,
A baixa, obsequiosa,
Dupla submissão,
A graça servil e astuta
De alguém a quem pessoas brancas
Ensinaram
Há muito
Onde fica o seu
Lugar.

JUSTIÇA

Que a justiça é uma deusa cega
É algo que o negro já está escolado.
Sua venda esconde duas chagas purulentas
Que já foram talvez olhos no passado.

HOMEM LIVRE

Você pode prender o vento,
Você pode prender o mar,
Mas não consegue, formosura,
Me aprisionar.

Você pode domar um coelho,
até um urso você pode conseguir,
Mas não vai nunca, formosura,
Me manter preso aqui.

SOMBRAS

Ao farol,
Ao farol,
Não vamos aceitar essa sombra!
Deem-nos o sol.

Não temos feitura
Para a sombra escura,
Para a sombra espessa e obscura,
E o parco espaço de ar estreito
Que nos foi feito pela gente de brancura.
Ao farol,
Oh, Deus,
Ao farol!
Que possamos romper essas sombras,
Precisamos encontrar o sol.

AVENIDA LENOX: MEIA-NOITE

O ritmo da vida
É um ritmo de jazz,
Doçura.
Os deuses estão rindo de nós.

O coração partido do amor,
O enfarado coração da mágoa, –
Notas altas,
Notas baixas,
Zoada dos carros na rua,
Cicio do chiado da chuva.

Avenida Lenox,
Doçura.
Meia-noite,
E os deuses estão rindo de nós.

*Poemas do livro “O negro declara e outros poemas”, Editora Pinard, 2022.
Tradução de Léo Gonçalves.