Leopoldo María Panero nasceu em Madrid, Espanha, no dia 16 de junho de 1948. Poeta integrante do grupo dos “Novíssimos”, movimento modernista espanhol na década de 70. Sua obra está presente em diversas histórias da literatura, antologias e programas acadêmicos em toda a Espanha. Grande parte de sua produção é considerada de caráter autobiográfico. Faleceu no dia 5 de março de 2014, em Las Palmas, Espanha.
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Debaixo de mim
jaz um homem
e o sêmen
sobre o cemitério
e um pelicano dissecado
criado nunca nem antes.
Caído o rosto
outra cara no espelho
um peixe sem olhos.
Sangue fervendo no espelho
sangue fervendo
no espelho
um peixe que come os dias pre-
sentes sem rosto.
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. Do pó nasceu uma coisa.
E isto, cinza do sapo, bronze do cadáver
é o mistério da rosa.
os imortais
Na luta entre as consciências algo caiu no chão
e o fragor dos cristais alegrou o encontro.
Desde então eu habito entre os Imortais
onde um rei come na frente do Anjo caído
e flores semelhantes a morte nos despoja
e joga no jardim onde crescemos
temendo que nos chegue a lembrança dos homens.
*
Em minhas mãos acolho os excrementos
formando poemas com eles
estou próximo de onde sopra o vento
e os jarros de vinho estão cheios de meu nome.
Meu ânus é todo profundo
sozinho constrói um mundo
um menino dança sobre o rascunho
como a rosa do imundo.
*
Vamos brindar com champanhe sobre o nada
salto de um saltimbanco escrito no aço
onde a flor se despe e habita entre os homens
que dela riem e dela afastam o olhar
sem saber, oh, ilusão, que também é para o nada
onde eles a devolvem e que a cada jogada
a morte se apresenta nua diante do jogador
e os anões jogam com cabeças humanas.
o louco que chamam de rei
Sou um bufão e acaricio um homem nesta escada fechada
com peixes mortos nos degraus
e uma sereia afogada em minha mão que estendo
mudo aos que passam, pedindo
como o poeta mendiga
mão de asfixia que acaricia sua mão
no umbral que me une ao homem
que passa a um corcel de distância
e inocente sela o pacto
nem saber que naufraga na virgindade da página
ao ápice da linha, no nada
cruel da rosa já definhada
. onde
não estou eu nem está o homem.
*Poemas do livro “Poemas do Manicômio de Mondragón”, Editora Urutau, 2024.
Traduções de Ayrton Badriah, Pedro Spigolon e Tiago Rendelli.