Vitor Paiva nasceu no Rio de Janeiro (RJ), a 3 de Março de 1983. Poeta, escritor, jornalista, músico, comentarista de TV, cronista e produtor cultural, Produziu e apresentou, de 2000 a 2003, o evento CEP 20.000 – um dos principais evento de arte da cidade do Rio de Janeiro, ao lado de nomes como Guilherme Zarvos e Ricardo Chacal. Publicou seu primeiro texto na extinta revista Bundas, aos dezesseis anos. Lançou, em 2004, o livro de poemas Tudo que não é cavalo (Ed. Cavídeo), com lançamentos no Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba; Em 2007, lançou Boca Aberta (Confraria do Vento). Participou, como cronista, da coletânea Cepensamento (Azougue Editorial). Participou, como poeta, da coletânea Achados (Nova Fronteira), organizada por Caique Botkay, que reuniu memórias de 71 amigos.


*

se você jurar me contar
a mesma mentira
todos os dias
eu prometo em troca
duvidar pra sempre

*
é possível ler a lâmina pelo corte

a mínima irregularidade
deixará marcas indeléveis na cicatriz

pela linha na pele
feito uma caligrafia
pode se saber o que diz a lâmina

o que a lâmina quis

*
calar-se de súbito

até que o assunto morra

até que a festa morra

até que o outro morra

até que não haja mais todo

nem parte

e ainda assim

suportar permanecer

calar-te

*
fiz sinal
mas o ônibus não parou
meu destino se foi
Central – Leblon
eu cá fiquei
easy rider de hoje em diante
Taquara – Rio Comprido
Tijuca – Campo Grande
por um segundo
todo o mundo
maestro, um instante

*
o rastilho de pólvora aceso
ilumina o silêncio absoluto
dos telejornais
cadernos de cultura
sites especializados
debates ébrios
livros de história
das arquibancadas vazias
diante da queda
do último homem-bala

*
os pássaros
batem a cabeça contra o vidro
por não aceitarem censura
alguma

em nome da asa
preferem morrer
pela causa

*Poemas do livro “só o sol sabe sair de cena”, Editora Lábia Gentil, 2023.