Ariano Suassuna

por jul 18, 2018Poetas0 Comentários

Ariano Vilar Suassuna nasceu no dia 16 de junho de 1927, em João Pessoa, Paraíba. Além de poeta, foi um dos mais importantes dramaturgos, romancistas e ensaístas da literatura brasileira no século XX, tendo publicado obras-primas traduzidas nas mais diversas línguas, como o “Auto da Compadecida” e “O Santo e a Porca”. Membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), ocupou a cadeira n. 32, na vaga de Genolino Amado, a partir de 9 agosto de 1990.

Ferrenho defensor da cultura popular nordestina, a partir da década de 1970, Ariano Suassuna encabeça a criação do “Movimento Armorial”, série de manifestações artísticas (literatura de cordel, música, dança, artes plásticas, teatro e cinema). Essas atividades tinham o intuito de exaltar e, até mesmo, internacionalizar os hábitos e os folclores regionais brasileiros, assim como os países europeus e os Estados Unidos conseguiram implantar pelo mundo.

Por isso, as obras literárias de Suassuna abordavam, de forma cômica e sensível, o jeito mais genuíno das regiões nordestinas: o modo de falar, sotaques, jargões, crenças de senso comum, eram utilizados minuciosamente pelo o autor, valorizando a cultura nacional e evidenciando a importância de conhecermos a nossa própria história.

Ariano Suassuna faleceu em 23 de julho de 2014, no Recife, Pernambuco.

Poemas de Ariano Suassuna:

A mulher e o Reino

Oh! Romã do pomar, relva esmeralda Olhos de ouro e azul, minha alazã Ária em forma de sol, fruto de prata Meu chão, meu anel, cor do amanhã Oh! Meu sangue, meu sono e dor, coragem Meu candeeiro aceso da miragem Meu mito e meu poder, minha mulher Dizem que tudo passa e...

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A Morte – A Moça Caetana

[Com tema de Deborah Brennand] Eu vi a Morte, a moça Caetana, com o Manto negro, rubro e amarelo. Vi o inocente olhar, puro e perverso, e os dentes de Coral da desumana. Eu vi o Estrago, o bote, o ardor cruel, os peitos fascinantes e esquisitos. Na mão direita, a...

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A Estrada

[Com mote de Augusto dos Anjos] No relógio do Céu, o Sol ponteiro Sangra a Cabra no estranho céu chumboso. A Pedra lasca o Mundo impiedoso, A chama da Espingarda fere o Aceiro. No carrascal do sol, azul braseiro, Refulge o Girassol rubro e fogoso. Como morrer na...

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Noturno

Têm para mim Chamados de outro mundo as Noites perigosas e queimadas, quando a Lua aparece mais vermelha São turvos sonhos, Mágoas proibidas, são Ouropéis antigos e fantasmas que, nesse Mundo vivo e mais ardente consumam tudo o que desejo Aqui. Será que mais Alguém vê...

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A Onça, por ser Esperta

A Onça, por ser esperta, já começa o seu Caminho, Fez da sua Furna o ninho e esturra que está alerta! Será a Cadeia aberta! Quanto ao Porco, é muito certo: Fugirá para o Deserto, e a Onça, com seu bramido, libertará O Ferido, o nosso Prinspe-Encoberto! A Onça vai...

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Lápide

Quando eu morrer, não soltem meu Cavalo nas pedras do meu Pasto incendiado: fustiguem-lhe seu Dorso alardeado, com a Espora de ouro, até matá-lo. Um dos meus filhos deve cavalgá-lo numa Sela de couro esverdeado, que arraste pelo Chão pedroso e pardo chapas de Cobre,...

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