Castro Alves

por ago 1, 2018Poetas0 Comentários

Antônio Francisco de Castro Alves nasceu no dia 14 de março de 1847, em Vila de Curralinho (hoje cidade de Castro Alves), na Bahia. Considerado o maior escritor brasileiro da Terceira Geração Romântica do país, também foi uma das principais figuras abolicionistas da época, sendo apelidado de “Poeta dos Escravos”. É patrono da cadeira nº 7 da Academia Brasileira de Letras (ABL).

Castro Alves revolucionou o sentido do Romantismo no Brasil. Além dos tradicionais versos amorosos, que descreviam os sentimentos de paixão, assim como a beleza e a exaltação ao corpo da mulher, usou desse gênero para profundas reflexões e críticas sociais. Seu estilo literário se aproximava ao Realismo, por isso, de uma forma muito sensível, abordava temas como liberdade e justiça, através de uma linguagem épica, ousada e dramática. Poemas como “Vozes d’América” e “Navios Negreiros”, pertencentes à obra “Os Escravos”, foram classificados como “Poesia Social” e vistos como um grito de igualdade a favor dos negros.

Castro Alves também foi o “Poeta da Natureza”. Enaltecia as fontes vitais da vida e tinha uma afeição especial pelo o sol e pela lua, transformando-os em símbolos de esperança e sonhos de liberdade. Em 1870 publica “Espumas Flutuantes”, seu único livro em vida.

Castro Alves faleceu no dia 6 de julho de 1871, com apenas 24 anos, em Salvador, Bahia.

Poemas de Castro Alves:

A Um Coração

"Coração de Filigrana de Oiro" Ai! Pobre coração! Assim vazio E frio Sem guardar a lembrança de um amor! Nada em teu seio os dias hão deixado!… É fado? Nem relíquias de um sonho encantador? Não, frio coração! É que na terra Ninguém te abriu…Nada teu seio encerra! O...

ler mais

Vozes D’África

Deus! ó Deus! onde estás que não respondes? Em que mundo, em qu'estrela tu t'escondes Embuçado nos céus? Há dois mil anos te mandei meu grito, Que embalde desde então corre o infinito... Onde estás, Senhor Deus?... Qual Prometeu tu me amarraste um dia Do deserto na...

ler mais

As Três Irmãs do Poeta

É Noite! as sombras correm nebulosas. Vão três pálidas virgens silenciosas Através da procela irrequieta. Vão três pálidas virgens... vão sombrias Rindo colar num beijo as bocas frias... Na fronte cismadora do Poeta: "Saúde, irmão! Eu sou a Indiferença. Sou eu quem te...

ler mais

Amar e Ser Amado

Amar e ser amado! Com que anelo Com quanto ardor este adorado sonho Acalentei em meu delírio ardente Por essas doces noites de desvelo! Ser amado por ti, o teu alento A bafejar-me a abrasadora frente! Em teus olhos mirar meu pensamento, Sentir em mim tu’alma, ter só...

ler mais

O Laço de Fita

Não sabes, criança? 'Stou louco de amores... Prendi meus afetos, formosa Pepita. Mas onde? No templo, no espaço, nas névoas?! Não rias, prendi-me Num laço de fita. Na selva sombria de tuas madeixas, Nos negros cabelos da moça bonita, Fingindo a serpente qu'enlaça a...

ler mais

O “Adeus” de Teresa

A vez primeira que eu fitei Teresa, Como as plantas que arrasta a correnteza, A valsa nos levou nos giros seus E amamos juntos E depois na sala "Adeus" eu disse-lhe a tremer co'a fala E ela, corando, murmurou-me: "adeus." Uma noite entreabriu-se um reposteiro. . . E...

ler mais

O Navio Negreiro (Tragédia no Mar)

‘Stamos em pleno mar… Doudo no espaço Brinca o luar — dourada borboleta; E as vagas após ele correm… cansam Como turba de infantes inquieta. ‘Stamos em pleno mar… Do firmamento Os astros saltam como espumas de ouro… O mar em troca acende as ardentias, — Constelações...

ler mais

A Duas Flores

São duas flores unidas, São duas rosas nascidas Talvez do mesmo arrebol, Vivendo no mesmo galho, Da mesma gota de orvalho, Do mesmo raio de sol. Unidas, bem como as penas Das duas asas pequenas De um passarinho do céu… Como um casal de rolinhas, Como a tribo de...

ler mais

Amemos!

Por que tardas, meu anjo! oh! vem comigo. Serei teu, serás minha... É um doce abrigo A tenda dos amores! Longe a tormenta agita as penedias... Aqui, ao som de errantes harmonias, Se adormece entre flores. Quando a chuva atravessa o peregrino, Quando a rajada a galopar...

ler mais

Poetas similares a Castro Alves

  • Machado de Assis
  • Álvares de Azevedo
  • Gonçalves Dias
  • Fagundes Varela

Trackbacks / Pingbacks

  1. José Craveirinha » Recanto do Poeta - […] Castro Alves […]

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Publicidade

Categorias