Lúcio Cardoso

por nov 28, 2018Poetas0 Comentários

Joaquim Lúcio Cardoso Filho nasceu no dia 14 de agosto de 1912, em Curvelo, Minas Gerais. Considerado um dos principais expoentes da “literatura psicológica”, que despontou no Brasil na década de 1930, sua obra representa o início da escrita existencialista no país, buscando mergulhar no cerne do indivíduo moderno, em que os dramas e questionamentos sobre a vida sobrepujam-se à descrição naturalista ou críticas sociais. Sua obra-prima “Crônica da Casa Assassinada”, de 1959, é um dos livros mais cultuados da literatura brasileira, tendo sido traduzido para o francês, italiano e inglês. Recebeu da Academia Brasileira de Letras (ABL) o “Prêmio Machado de Assis”, de 1966, pelo conjunto de sua obra.

Embora sua escrita ser associada ao intimismo e à introspecção , Lúcio Cardoso iniciou sua carreira publicando dois romances de cunho sociológico: “Maleita”, de 1934, e “Salgueiro”, de 1935. A partir do livro “Luz no Subsolo”, de 1936, passou a priorizar o questionamento da condição humana e dos valores do bem e do mal. Além disso, o poeta foi no Brasil, uma das primeiras personalidades a assumir sua homossexualidade. Deixou em seu diário (escrito entre os anos de 1949 a 1958), relatos bastante contundentes sobre sua orientação sexual, assim como as dúvidas e culpas geradas por sua formação católica. 

Outro detalhe marcante da vida do autor foi influência que sua literatura teve sobre outros grandes escritores de sua época. Isso ocorreu principalmente nas obras de Clarice Lispector, de quem foi amigo e mentor. Os dois se conheceram na redação da Agência Nacional e Lúcio foi responsável por ajudar a escritora a entrar no mundo literário. Inclusive, segundo a própria Clarice, os dois viveram um “amor platônico”.

Em 1962, Lúcio sofreu um derrame cerebral que paralisou o lado direito do seu corpo, impedindo-o de escrever. Passou então a se dedicar à pintura e chegou a realizar duas exposições. Morreu dois anos depois, aos 56 anos, vitimado por um segundo AVC.

Lúcio Cardoso faleceu no dia 28 de setembro de 1968, Rio de Janeiro. Após sua morte, várias de suas obras foram adaptadas para o cinema. Em 2015, seu texto inacabado “Introdução à música do sangue” foi transformado em filme homônimo, produzido pelo cineasta Luiz Carlos Lacerda.

 

Poemas de Lúcio Cardoso:

Único Poema de Amor

tudo tão calmo a vida dormindo como agora que tombasse sem murmúrio na planície do meu pensamento ... folhas mortas que não voam, pássaros imóveis que não cantam, água parada que não corre ... e teu corpo como um lírio sobre a terra, e a terra muda impregnada de...

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Amanhecer

A noite está dentro de mim, girando no meu sangue. Sinto latejar na minha boca as pupilas cegas da lua. Sinto as estrelas, como dedos movendo a solidão em que caminho. Logo o perfume da poesia sobe aos meus olhos trêmulos, cerrados, ouço a música das coisas que...

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Poema do Ferro e do Sangue

Esqueceram os campos revolvidos onde vegetam perdidos os ossos obscuros calcinados de dez milhões de mortos. Esqueceram as cruzes improvisadas erguendo para o alto preces de galhos retorcidos. E esqueceram o rumor das granadas revolvendo a terra e os vivos devorando...

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A uma Estrela

Meu domínio é o do sonho, minha alegria é a do céu que a tormenta obscurece, meu futuro é aquele que amanhece à luz do desespero. Só tu saberás o segredo da minha predestinação. Só tu saberás a extensão de tantas caminhadas, só tu conhecerás a casa humilde em que...

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Receita de Homem

Depois deve ser alto, sem lembrar o frio estilo da palmeira. Moreno sem excesso para que se encontre tons de sol de agosto em seus cabelos. E nem louro demais para que, de repente no olhar cintile algo da cigana pátria adormecida. E que tenha mãos grandes, para...

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A Casa do Solteiro

A casa do solteiro é alta e de paredes de angústia, muros escorrem como verdes contornos e colunas de mármore frio guardam seus limites. Há quatro anjos sentados no teto solene e casto e com luzes vermelhas, entre ciprestes, sondam os anjos – guardiões – os...

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