Francisco Ribeiro Eller, mais conhecido pelo nome artístico “Chico Chico”, nasceu no Rio de Janeiro, em 28 de agosto de 1993. Poeta, cantor e compositor, é filho biológico da cantora Cássia Eller e do baixista Tavinho Fialho, falecido uma semana antes de seu nascimento. Após a morte de Cássia, em dezembro de 2001, Chico foi criado por Maria Eugênia Vieira Martins, companheira da artista, que obteve sua guarda em 2002 após uma disputa judicial amplamente acompanhada pela mídia.
Ainda na adolescência, o artista integrou bandas da cena alternativa carioca. Só em 2015 adotou oficialmente o nome artístico Chico Chico. Nesta mesmo ano lançou o seu primeiro álbum de músicas autorais com a banda 2×0 Vargem Alta, formada por amigos de juventude. Seu primeiro álbum solo, Pomares, chegou ao público em 29 de outubro de 2021 e recebeu indicação ao Grammy Latino na categoria Melhor Álbum de Música Popular Brasileira, em 2022. A maior proximidade com a poesia, veio com o seu terceiro álbum, Let it Burn / Deixa Arder, de 2025, e que apresenta uma maior pesquisa musical entre a canção brasileira, o rock e a poesia falada. Paralelamente à música, também passou a se dedicar de forma mais intensa à literatura, estreando em 2026 com a publicação do livro “Pequenos Sigilos ”.
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Fina luz inconsequente
que se lança e ruma veloz
Aguda, úmida lâmina
de secos cortes graves
– fio cego de olhos grandes –
Definitiva como as rochas
e a displicência das brisas:
A dor que celebramos
– como só poderiam os feridos –
alvorece em breu profundo.
*
Há pequenos sigilos que podem ser um perigo de
melodia nos respiros da noite.
Grandes coisas indecifráveis em si, mas com um
azul bem definido e uma boa quantidade de tempo.
Não por isso tão importantes assim, contudo ainda
maiores que as terças e quartas e quintas e sextas.
Se forem sábados, sabe-se lá, desmoronam no início.
O menino vê outra maneira de viver sempre com as
dúvidas, ao passo que os ventos perseguem caminhos
e não se esquecem dos desejos.
*
Um poema não hesita
fatal, hiberna
Arma no coldre, decisiva
Dorme o sono das feras, em vigília
Teme morrer por alguém a quem prefira dar a vida
Um poema não hesita
*
Amar é uma prosa que não rima
e a paixão, um verso só.
Não voarmos tem a razão como contrapartida
E a sorte é o azar quando tem dó.
Em duas estrofes pode haver tudo da vida
mas é na morte que a poesia se inaugura.
A leveza é todo o peso que acumula.
É uma pena, isso que carregamos.
Flutuar se aprende com as pedras
como a luz que ensinamos não cegar.
E o silêncio, pai, mãe de toda e qualquer canção.
Há tanta coisa muito forte que nos cega
que mesmo forte quando chega
chega não.
*
Entre nós
há algo forte demais
a noite dos deuses
a cidade mais próxima
uma outra metade da voz
*Poemas do livro “Pequenos Sigilos”, Ação Editora, 2026.