Rui Baião nasceu no dia 24 de Novembro de 1953, em Lisboa, Portugal. Poeta e escritor, destacam os livros Aqueduto (Etc, 1985), Maligno (Frenesi, 1991), Nuez (Frenesi, 2003) e Bone lonely (Steidl – Göttingen, 2011). Partilhou com Al Berto e Paulo da Costa Domingos a organização da antologia de referência “Sião””(Frenesi, 1987).

Phacelia tenacetifolia.

Guerreiro adossado tremia na pressa de ganhar o azar.
Fossilizado ser fazia-me o sinal da cruz savástica.
Rotura de esporos e pelúcia.
Nos olhos rasos de água, uma pontuação grosseira. Indecisos
os que daqui se vão conforme…

Equisetum hiemale.

Por ventura caísse a Babel nobre dos astros;
azebre que me perturba, prende noites rotografadas.
Exumar a altura? – Não sei se desordem,
se exato ponto ou medo
de cindir-se…

*

Que respiração devassou a opaca álgebra dos cavalos marinhos?
Batuque aço nas dragas… Hoje espelho para camaleões: quietude em
Netuno de zonzas sirenes batiam do súbito alvejar, um mortífero solfejo de golfinhos…
Água que surgisse dos filtros com a insônia dúplice e secreta de
minha outra metade retida, só clímax de rota oca por estrear…

Fungus mungus.

Finges que finges de violada estrela, o teste faz-se
mentira micélio com os bífidos aparos nos estames.
Perdoa-me a loca do tempo…
A sombra começa por dormir na decaída corola quando todos os dedos
chegarem ao veludo cruel das pálpebras.

Guillumete polymorpha.

Isto explica o brilho do cancro sob a flor dos icebergs.
Penugem: suporte vagaroso no macramé da pele.
Maxilar que ri… Na garganta,
o futuro pré-histórico da folhagem. Esgrima o soluço tangente
ao ardor celulósico.

Typhatata pulcra.

Do tumor nasce uma radicular força que procura o céu.
Daí asas doarem à repugnante transparência,
arcaicas filigrana, mascarilha e mosto…
Cospe a secura toda, um quadrilátero de argila.

*Poemas do livro “Aqueduto”, Editora & etc, 1985.