Yun Dong-ju nasceu no dia 30 de dezembro de 1917, em Lung-ching, que na época era uma colônia coreana na China, durante a ocupação japonesa na Coreia. Ficou conhecido por sua obra lírica e seus poemas de resistência contra as guerras. Estudou em Pyongyang e em Seul e publicou seus primeiros versos no jornal Chosun Ilbo e na revista Sonyeon. Ingressou na Universidade Dōshisha de Kyoto, no Japão, em 1942, mas foi preso pela polícia japonesa em 1943. Morreu na prisão em Fukuoka, no Japáo, aos 27 anos, deixando mais de 100 poemas.
Primavera
A primavera corre em minhas veias como um riacho
E à beira fria do córrego corrente
Sinos-dourados, azaleias, flores amarelinhas de acelga,
Padecidos três duros invernos
Floresço como um pé de erva.
Alegre cotovia!
Irrompa alegre de um rego qualquer!
E o céu, tão somente alto, embaça
meus olhos…
Vento ventado
De onde será que o vento vem ventando
e para onde será que vai?
O vento venta
mas não há motivo na minha angústia.
Não haverá motivo na minha angústia?
Jamais amei uma única mulher sequer.
Jamais lamentei estes tempos.
O vento venta sem parar
e os meus pés firmes sobre a rocha.
O rio corre sem parar
e os meus pés parados sobre a colina.
Rua sem letreiros
Quando desço na plataforma da estação
Ninguém,
Todos, somente visitantes
Somente pessoas que parecem ser visitantes,
De casa em casa, todas sem letreiros
Sem preocupação de procurar por uma
Sem mesmo as letras que se acendem
Vermelhas
Azuis
Com os velhos e benevolentes
Postes a gás
Acesos a cada esquina,
Quando as pegamos pelo pulso
Todas elas, pessoas bondosas
Todas elas, pessoas bondosas
Primavera, verão, outono, inverno,
Seguem na sequência.
Últimas palavras
Neste quarto vazio
últimas palavras – mero gesticular de lábios.
O filho que ia catar pérolas no mar
O filho mais velho que dizem sussurrar amores com haenyeo,
Olhe lá fora, veja se voltam esta noite…
O destino de pai, solitário a vida inteira
A tristeza sobrevém em seus olhos que se fecham.
Noite – o cachorro ladra nesta casa afastada
E a lua luminosa flui pela moldura da porta.
Povo triste
Brancos lenços envolvem os cabelos negros
e brancas sapatilhas pendem dos pés ásperos.
Brancos vestidos escondem formas tristes
e brancas faixas apertam suas magras cinturas.
Fígado
Estendamos o fígado úmido para secar sobre a rocha
Numa praia bem ensolarada.
Protejamos o fígado rondando a sua volta
como um coelho fugido das montanhas do Cáucaso,
Águia magra, cria minha de longa data!
Venha devorar, não pense em nada
Pois você deve se fartar
E eu me definhar, mas,
Tartaruga!
Nunca mais cairei na tentação do Palácio do Dragão do Mar.
Prometeu, pobre Prometeu,
Que pelo pecado de ter roubado fogo
se despenha sem fim acorrentado a uma rocha!
*Poemas do livro “Céu, vento, estrelas e poesia”, Editora 7 Letras, 2023.
Tradução de Yun Jung Im