Manoel de Barros

por jul 19, 2018Poetas0 Comentários

Manoel Wenceslau Leite de Barros nasceu no dia 19 de dezembro de 1916, em Cuiabá, Mato Grosso. Um dos mais prestigiados e queridos poetas brasileiros do século XX, fazia dos seus versos uma extensão de sua vida simples, pacata e de grande imaginação, para exaltar a beleza das pequenas e singelas coisas da natureza. Em 2003, chegou a ser mencionado para concorrer ao Prêmio Nobel de Literatura, contudo, não foi indicado.

Manoel de Barros se caracterizou por ser um poeta de genuína espontaneidade, versos próprios e criação de palavras, cenários e situações. Publicou seu primeiro livro de poesias, “Poemas Concebidos Sem Pecados”, em 1937, sendo pejorativamente chamado de “Jeca Tatu do Pantanal”. Contudo, apesar de nascer no pantanal e extrair os elementos regionais em suas obras, o autor tinha formação cosmopolita, pois viveu muitos anos no Rio de Janeiro e viajou o mundo. Essa bagagem exterior trouxe a Manoel de Barros grandes influências do Modernismo Francês, principalmente o Surrealismo.

Além da natureza primitiva, outro grande mote das obras de Manoel de Barros é a afeição pelas crianças. O poeta usava da inocência infantil – ignorância questionadora e imaginação fértil – ferramentas primárias para analisar as razões naturais da escrita poética. Para cingir esses pensamentos, ele utilizava invenções verbais e neologismos, assim como as crianças fazem para se comunicar.

Manoel de Barros faleceu em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, no dia 13 de novembro de 2014.

Poemas de Manoel de Barros:

VII

No descomeço era o verbo. Só depois é que veio o delírio do verbo. O delírio do verbo estava no começo, lá onde a criança diz: Eu escuto a cor dos passarinhos. A criança não sabe que o verbo escutar não funciona para cor, mas para som. Então se a criança muda a função...

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Difícil Fotografar o Silêncio

Difícil fotografar o silêncio. Entretanto tentei. Eu conto: Madrugada a minha aldeia estava morta. Não se ouvia um barulho, ninguém passava entre as casas. Eu estava saindo de uma festa. Eram quase quatro da manhã. Ia o Silêncio pela rua carregando um bêbado. Preparei...

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Uns Homens estão Silenciosos

Eu os vejo nas ruas quase que diariamente. São uns homens devagar, são uns homens quase que misteriosos. Eles estão esperando. Às vezes procuram um lugar bem escondido para esperar. Estão esperando um grande acontecimento. E estão silenciosos diante do mundo,...

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Os Deslimites da Palavra

Ando muito completo de vazios. Meu órgão de morrer me predomina. Estou sem eternidades. Não posso mais saber quando amanheço ontem. Está rengo de mim o amanhecer. Ouço o tamanho oblíquo de uma folha. Atrás do ocaso fervem os insetos. Enfiei o que pude dentro de um...

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O Apanhador de Desperdícios

Uso a palavra para compor meus silêncios. Não gosto das palavras fatigadas de informar. Dou mais respeito às que vivem de barriga no chão tipo água pedra sapo. Entendo bem o sotaque das águas Dou respeito às coisas desimportantes e aos seres desimportantes. Prezo...

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