Ricardo Reis

por ago 1, 2018Poetas0 Comentários

Ricardo Reis é um dos heterônimos mais conhecidos do poeta Fernando Pessoa. De acordo com a sua biografia – que consta nos “Poemas de Índole Pagã”, o personagem nasceu no dia 19 de setembro de 1887, na cidade do Porto, em Portugal. Monarquista e contra a Proclamação da República Portuguesa, exilou-se no Brasil, em 1919. Formado em medicina, suas obras literárias possuem vertentes clássicas, mitológicas e voltadas aos prazeres da vida em busca da plena felicidade da alma.

Profundo admirador das obras clássicas (estudou latim, grego e mitologia), Ricardo Reis se baseia na doutrina epicurista para observar a vida. Essa filosofia se caracteriza pela busca do equilíbrio espiritual, através do bem soberano e do prazer, aceitando os acontecimentos naturais das coisas como forma de autoconhecimento.  Em relação a sua obra poética, Ricardo Reis se inspirou no poeta latino Horácio, tanto em relação à filosofia “carpe diem” (aproveitar cada momento), quanto na forma de escrita, utilizando gerúndios, imperativos e inversões de sintaxe.

Apesar de não constar uma data de falecimento em sua biografia, de acordo com o livro “O Ano da Morte de Ricardo Reis”, do escritor José Saramago, o personagem morre no ano de 1936, um ano depois do próprio Fernando Pessoa.

Poemas de Ricardo Reis:

Quem nos Ama não Menos nos Limita

Não só quem nos odeia ou nos inveja Nos limita e oprime; quem nos ama Não menos nos limita. Que os deuses me concedam que, despido De afetos, tenha a fria liberdade Dos píncaros sem nada. Quem quer pouco, tem tudo; quem quer nada É livre; quem não tem, e não deseja,...

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Segue o Teu Destino

Segue o teu destino, Rega as tuas plantas, Ama as tuas rosas. O resto é a sombra De árvores alheias. A realidade Sempre é mais ou menos Do que nos queremos. Só nós somos sempre Iguais a nós-proprios. Suave é viver só. Grande e nobre é sempre Viver simplesmente. Deixa...

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Amo o que Vejo

Amo o que vejo porque deixarei Qualquer dia de o ver. Amo-o também porque é. No plácido intervalo em que me sinto, Do amar, mais que ser, Amo o haver tudo e a mim. Melhor me não dariam, se voltassem, Os primitivos deuses, Que também, nada sabem.

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Tenho Mais Almas que Uma

Vivem em nós inúmeros; Se penso ou sinto, ignoro Quem é que pensa ou sente. Sou somente o lugar Onde se sente ou pensa. Tenho mais almas que uma. Há mais eus do que eu mesmo. Existo todavia Indiferente a todos. Faço-os calar: eu falo. Os impulsos cruzados Do que sinto...

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Sei Bem que Nunca Serei Ninguém

Sim, sei bem Que nunca serei alguém. Sei de sobra Que nunca terei uma obra. Sei, enfim, Que nunca saberei de mim. Sim, mas agora, Enquanto dura esta hora, Este luar, estes ramos, Esta paz em que estamos, Deixem-me crer O que nunca poderei ser.

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Põe quanto És no Mínimo que Fazes

Para ser grande, sê inteiro: nada Teu exagera ou exclui. Sê todo em cada coisa. Põe quanto és No mínimo que fazes. Assim em cada lago a lua toda Brilha, porque alta vive

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