Marina Colasanti

Poetas

Marina Colasanti nasceu em 26 de setembro de 1937, na colônia italiana de Asmara, capital da Eritreia. Uma das escritores mais prestigiadas da literatura brasileira no exterior, possui mais de 50 livros publicados, entre poemas, contos, crônicas, infantis e ensaios sobre literatura, arte, problemas sociais e amor. Casada com o também poeta Affonso Romano de Sant’anna, tem duas filhas, Fabiana e Alessandra Colasanti.

Marina Colasanti viveu sua infância na Líbia e então voltou à Itália onde morou até os 11 anos. Em 1948, em razão da difícil situação vivida na Europa após a Segunda Guerra Mundial, emigra com a família para o Brasil, radicando-se na cidade do Rio de Janeiro. De formação artista plástica, ingressou no Jornal do Brasil, dando início à carreira de jornalista. Também traduziu importantes autores da literatura italiana. Seu primeiro livro, “Eu sozinha”, data de 1968.

Uma das mais premiadas escritoras brasileiras, Marina é detentora de vários prêmios Jabutis, do Grande Prêmio da Crítica da APCA, do Melhor Livro do Ana da Câmara Brasileira do Livro, do prêmio da Biblioteca Nacional para poesia, de dois prêmios latino-americanos. Foi o terceiro prêmio no Portugal Telecom de Literatura 2011. Tornou-se hors-concours da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), após ter sido várias vezes premiada.

Poemas de Marina Colasanti:

Frutos e Flores

Meu amado me diz que sou como maçã cortada ao meio. As sementes eu tenho é bem verdade. E a simetria das curvas. Tive um certo rubor na pele lisa que não sei se ainda tenho. Mas se em abril floresce a macieira eu maçã feita e pra lá de madura ainda me desdobro em...

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Eu Sou Uma Mulher

Eu sou uma mulher que sempre achou bonito menstruar. Os homens vertem sangue por doença sangria ou por punhal cravado, rubra urgência a estancar trancar no escuro emaranhado das artérias. Em nós o sangue aflora como fonte no côncavo do corpo olho-d'água escarlate...

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Eu Sei, Mas Não Devia

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia. A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e a não ter outra vista que não seja as janelas ao redor. E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora logo se acostuma a...

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Porta do Armário Aberta

Abro a porta do armário como abro um diário, a minha vida ali dependurada meu frusto cotidiano sem segredos intimidade exposta que os botões não defendem nem se veda nos bolsos, espelho mais real que todo espelho entregando à devassa as medidas do corpo. Armário...

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Rota de Colisão

De quem é esta pele que cobre a minha mão como uma luva? Que vento é este que sopra sem soprar encrespando a sensível superfície? Por fora a alheia casca dentro a polpa e a distância entre as duas que me atropela. Pensei entrar na velhice por inteiro como um barco ou...

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Enquanto o Respirar

O amor morreu diz quem não sabe amar, morreu a arte o romance se foi o autor está defunto. Aninham-se os coveiros nas suas frases enquanto o respirar das coisas mortas ergue sereno o peito do mundo.

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