Vladimir Maiakóvski

por set 12, 2018Poetas0 Comentários

Vladimir Vladimirovitch Maiakóvski nasceu no dia 19 de julho de 1893, em Baghdatis, na Geórgia, Império Russo. Chamado de o “Poeta da Revolução”, é considerado um dos maiores poetas da literatura mundial do século XX, ao lado de nomes como Ezra Pound e T.S. Eliot. Homem de sentimentos exacerbados e impetuosos, conseguir reunir às suas obras diversas formas poéticas, passando pela lírica, pela epopeia e também por sátiras e críticas à sociedade do seu tempo. Modernista por natureza, foi idealizador do movimento “cubofuturista”, que até hoje tem exercido profunda influência na poesia russa moderna.

Maiakóvski foi um poeta perfeccionista, bastante rigoroso às métricas e às formações arrojadas de rimas. Chegava a reescrever 70 vezes o mesmo verso para atingir a sua concepção ideal. Publicou poemas épicos, recheados de hipérboles, utilizando quadras e dísticos, que retratavam a sociedade russa. Desde a adolescência, aos 15 anos, sempre mostrou interesse em assuntos ligados à revolução política em seu país, tornando-se um fervoroso militante na organização bolchevique do Partido Social-Democrático Operário Russo. Nesse período chegou a ser preso por duas vezes. Dizem que foi justamente na prisão que ele escreveu o seu primeiro livro de poemas (com estética ainda influenciada pelo simbolismo), mas que, apreendida pela policia, a obra nunca chegou a ser publicada.

A iniciação poética de Maiakóvski começa mesmo a partir de 1911, quando ingressa na Escola de Belas Artes. Por lá, conheceu o pintor e também poeta David Barliuk, que se tornou o grande incentivador de sua carreira literária. Rebeldes e já com a ideologia revolucionária em prática, os dois foram expulsos da Escola. Juntos passam a fazer parte do grupo “Hylaea”, que daria origem ao chamado cubofuturismo, movimento repleto de imagística urbana, influenciado pelo impressionismo e também pelo simbolismo poético. Para difundir essas novas concepções artísticas, ambos realizaram diversas viagens pela Rússia, alguns outros países da Europa, além dos Estados Unidos.

Apesar de muitos questionamentos, oficialmente, Maiakóvski suicidou-se com um tiro, em 1930. No entanto, o fato nunca foi muito bem explicado, e sabe-se que o poeta, assim como outros artistas revolucionários, estava sendo perseguidoe pressionado por programas oficiais que buscavam instaurar uma literatura “simplista e realista”, dirigidos pelo diplomata Viatcheslav Molotov.

Vladimir Maiakóvski faleceu no dia 14 de abril de 1930, em Moscou, Rússia.

Poemas de Vladimir Maiakóvski:

Clamo

Levantei-me como um atleta, levei-o como um acrobata, como se levam os candidatos ao comício, como nas aldeias se toca a rebate nos dias de incêndio. Clamava: “Aqui está, aqui! Tomai-o!” Quando este corpanzil se punha a uivar, as donas disparando pelo pó, pelo barro...

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O Poeta pede ao seu Amor que lhe Escreva

Amor de minhas entranhas, morte viva, em vão espero tua palavra escrita e penso, com a flor que se murcha, que se vivo sem mim quero perder-te. O ar é imortal. A pedra inerte nem conhece a sombra nem a evita. Coração interior não necessita o mel gelado que a lua...

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Impossível

Sozinho não posso carregar um piano e menos ainda um cofre-forte. Como poderia então retomar de ti meu coração e carregá-lo de volta? Os banqueiros dizem com razão: “Quando nos faltam bolsos, nós que somos muitíssimo ricos, guardamos o dinheiro no banco”. Em ti...

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De “V Internacional”

Eu à poesia só permito uma forma: concisão, precisão das fórmulas matemáticas. Às parlengas poéticas estou acostumado, eu ainda falo versos e não fatos. Porém se eu falo "A" este "a" é uma trombeta-alarma para a Humanidade. Se eu falo "B" é uma nova bomba na batalha...

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Blusa Fátua

Costurarei calças pretas com o veludo da minha garganta e uma blusa amarela com três metros de poente. pela Niévski do mundo, como criança grande, andarei, donjuan, com ar de dândi. Que a terra gema em sua mole indolência: "Não viole o verde de as minhas primaveras!"...

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Fragmentos

1 Me quer ? Não me quer ? As mãos torcidas os dedos despedaçados um a um extraio assim tira a sorte enquanto no ar de maio caem as pétalas das margaridas Que a tesoura e a navalha revelem as cãs e que a prata dos anos tinja seu perdão penso e espero que eu jamais...

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E então, que Quereis?

Fiz ranger as folhas de jornal abrindo-lhes as pálpebras piscantes. E logo de cada fronteira distante subiu um cheiro de pólvora perseguindo-me até em casa. Nestes últimos vinte anos nada de novo há no rugir das tempestades. Não estamos alegres, é certo, mas também...

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A Flauta Vértebra

A todos vocês, que eu amei e que eu amo, ícones guardados num coração-caverna, como quem num banquete ergue a taça e celebra, repleto de versos levanto meu crânio. Penso, mais de uma vez: seria melhor talvez pôr-me o ponto final de um balaço. Em todo caso eu hoje vou...

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A Esperança

Injeta sangue no meu coração, enche-me até o bordo das veias! Mete-me no crânio pensamentos! Não vivi até o fim o meu bocado terrestre , sobre a terra não vivi o meu bocado de amor. Eu era gigante de porte, mas para que este tamanho? Para tal trabalho basta uma...

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