Konstantínos Kaváfis

Poetas

Konstantínos Kaváfis, também creditado como Constantine P. Cavafy, nasceu no dia 29 de abril de 1863, em Alexandria, Egito. Mesmo nascido em terras egípcias, Kaváfis era grego, pois pertencia a uma grande colônia helênica que vivia na cidade mediterrânea. Apesar de nunca ter escrito livros, é considerado o maior nome da poesia em idioma grego, tendo produzido mais de 150 poemas, mas que só foram publicados após a sua morte.

A condição de “estrangeiro” de Kaváfis, em sua própria terra, foi tão clara que o poeta mal sabia falar árabe. Aos 9 anos, com a morte do seu pai e com a família vivendo grave crise financeira, mudou-se, com sua a mãe e seis irmãos, para a Inglaterra, onde viveu por sete anos. Nesse período, ele aflorou a sua sensibilidade poética, tanto que o seu primeiro poema foi escrito em inglês (assinando ‘Constantine Cavafy’). As obras de Kaváfis demonstram boa familiaridade com a tradição poética inglesa, em particular as obras de William Shakespeare e Oscar Wilde, abordando citações eruditas à fala cotidiana. Durante este tempo, ele também teve as primeiras relações homossexuais. 

Kaváfis era um escritor cético, questionava muito a Cristandade, o patriotismo e a heterossexualidade. Apresentava seus poemas distribuindo em feuilles volantes (folhas soltas) ou, então, publicando em algumas revistas literárias. O mais próximo de um livro, foram dois opúsculos que imprimiu: o primeiro, em 1904, com 16 folhas, e o segundo, em 1910, com 24 folhas.

Dois anos após a sua morte, em 1935, foi publicado o livro póstumo com uma coletânea de 154 poemas. Esta editio princeps acabou por receber o nome de canônicos.

Coincidentemente, Konstantínos Kaváfis faleceu no mesmo dia do seu aniversário, em 29 de abril de 1933, em razão de um câncer de laringe.

 

Poemas de Konstantínos Kaváfis:

Iônica

Esmigalhamos – em verdade – suas estátuas, os expulsamos – em verdade – dos santuários, porém dos deuses – nem por isso – pereceram. Eles, os deuses, Terra Iônica, ainda te adoram, no íntimo, sua psiquê ainda te rememora. Quando a manhã de agosto sobre ti alvora, a...

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Mar Matutino

Parar aqui. Mirar um pouco a natureza. Lampeja o azul-turquesa. Praias amarelas. Tudo, à luz, se embeleza, à grande luz que alumbra. Parar aqui. Mirá-la assim, quase miragem (se me antepôs deveras, só por breve instante). E estando aqui, não relembrar só meus...

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Melancolia de Jasão de Cleandro

Meu corpo, minhas feições envelhecem: ferida de pavoroso punhal. Suportá-la? Não sei como! Não tenho forças para suportá-la. A ti recorro, Arte da Poesia, para ti me volto, que tens nações de fármacos e analgésicos, tentando narcotizar essa dor em fantasia e palavra....

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O Espelho da Entrada

À entrada da mansão havia um grande espelho muito antigo, comprado pelo menos há mais de oitenta anos. Um rapaz belíssimo, empregado de alfaiate (e nos domingos atleta diletante) estava ali com um pacote. Deu-o a alguém da casa, que o levou para dentro com o recibo. O...

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A Origem

Consumara-se o prazer ilícito. Ergueram-se ambos do catre humilde. À pressa se vestiram, sem falar. Saíram separados, furtivamente; e, ao caminhar inquietos pela rua, como que receavam que algo neles traísse em que espécie de amor há pouco se deitavam. Mas quanto...

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A Bordo

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