Ascenso Ferreira

Poetas

Ascenso Carneiro Gonçalves Ferreira nasceu a 9 de maio de 1895, em Palmares, Pernambuco. Conhecido por integrar o movimento modernista de 1922, foi um dos mais importantes nomes da poesia regional nordestina, ganhando o apelido de “A Voz do Nordeste”.

Por seus atributos físicos e jeito de ser, Ascenso Ferreira era visto como uma figura exótica e folclórica: gordo, alto – tinha quase 2 metros de altura –  sempre aparecia com um grande chapéu de palha de abas largas. Boêmio, tinha o dom de recitar seus versos com grande personalidade e clareza. Apresentou suas primeiras poesias durante a adolescência, já mostrando elementos típicos de sua terra, como a cana-de-açúcar, o carro de boi, os folguedos e as lendas da cultura nacional.

Ao lado de outros poetas locais, fundou, em 1916, a sociedade “Hora Literária”. Mas, por defender o abolicionismo, passou a ser perseguido politicamente, tendo que se mudar para o Recife, em 1920. Na capital, em 1925, participou do movimento modernista de Pernambuco.

Sua primeira obra literária, “Catimbó”, foi publicada em 1927 e contou com ilustrações do também poeta e grande amigo Joaquim Cardozo. Com o livro, Ascenso viajou por vários estados brasileiros promovendo recitais que o ajudaram a ganhar projeção nacional.

A poesia de Ascenso Ferreira é marcada por forte nostalgia do processo de transformação que ocorria na região açucareira, quando os engenhos desapareciam e em seu lugar surgiam as usinas. Aproveitando a onda modernista da época, usou dos versos-livres, variando tons de humor em linguagens cotidianas, para apresentar reflexões bastante profundas de certos momentos da vida.

Em 1941 publicou o seu segundo livro “Cana Caiana”. O terceiro livro “Xenhenhém” estava pronto para ser editado, mas só sairia em 1951, incorporado à edição de Poemas. Essa obra foi o primeiro livro surgido no Brasil apresentando disco de poesias recitadas pelo seu autor – a edição continha, ainda, o poema “O trem de Alagoas”, musicado por Villa-Lobos.

Ascenso Ferreira faleceu no dia 5 de maio de 1965, no Recife, Pernambuco.

Poemas de Ascenso Ferreira:

Trem de Alagoas

O sino bate,o condutor apita o apito,Solta o trem de ferro um grito,põe-se logo a caminhar… — Vou danado pra Catende, vou danado pra Catende, vou danado pra Catende com vontade de chegar... Mergulham mocambos,nos mangues molhados,moleques, mulatos,vêm vê-lo passar. —...

ler mais

Filosofia

Hora de comer — comer!Hora de dormir — dormir!Hora de vadiar — vadiar! Hora de trabalhar?— Pernas pro ar que ninguém é de ferro!

ler mais

A Cavalhada

Fitas e fitas...Fitas e fitas...Fitas e fitas...Roxas,verdes,brancas,azuis, Alegria nervosa de bandeirinhas trêmulas!Bandeirinhas de papel bulindo no vento!... Foguetes do ar... — "De ordem do Rei dos Cavaleiros,a cavalhada vai começar!" Fitas e fitas...Fitas e...

ler mais

Poetas similares a Ascenso Ferreira

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Publicidade

Categorias