Paul Celan

por out 23, 2018Poetas0 Comentários

Paul Pessakh Antschel (em alemão) ou Paul Pessakh Ancel (em romeno), mais conhecido pelo pseudônimo Paul Celan, nasceu no dia 23 de novembro de 1920, em Cernăuţi (à época chamada Czernowitz), antiga capital da província da Bucovina, na Romênia. Sobrevivente do Holocausto, Celan é considerado um dos mais importantes poetas do pós-guerra, reunindo em sua obra literária a marca do terror nazista que sofreu com a família. Também foi ensaísta e tradutor, traduzindo mais de 40 poetas, de diferentes línguas, como Fernando Pessoa.

Filho de judeus de língua alemã, Paul Celan foi vítima da perseguição nazista: viu os seus pais e o seu avô serem mortos num campo de concentração, no qual conseguiu milagrosamente fugir. As experiências traumáticas influenciaram a sua obra lírica, impregnada de formalismo e traços surrealistas. O poema “Fuga da Morte”, publicado na compilação “Mohn und Gedächtnis” é considerada pela crítica um dos mais importantes poemas em língua alemã sobre o extermínio nazista dos judeus.

Em 1948 Paul Celan radicou-se em Paris. Porém, acometido por uma depressão profunda, apresentava tendências autodestrutivas, delírio persecutório e episódios de amnésia. Em 1970, aos 49 anos, suicidou-se por afogamento, no rio Sena.

Paul Celan morreu em 20 de abril de 1970, em Paris, na França.

Poemas de Paul Celan:

Corona

Da mão o outono me come sua folha: somos amigos. Descascamos o tempo das nozes e o ensinamos a andar: o tempo retorna à casca. No espelho é domingo, no sonho se dorme, a boca não mente. Meu olho desce ao sexo da amada: olhamo-nos, dizemo-nos o obscuro, amamo-nos como...

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Cristal

Não procura nos meus lábios tua boca, não diante da porta o forasteiro, não no olho a lágrima. Sete noites acima caminha o vermelho ao vermelho, sete corações abaixo bate a mão à porta, sete rosas mais tarde rumoreja a fonte.

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Do Azul

DO AZUL que ainda busca seu rosto, sou o primeiro a beber. Vejo e bebo de teu rastro: Deslizas pelos meus dedos, pérolas, e cresces! Cresces como todos os esquecidos Deslizas: o granizo negro da melancolia Cai num lenço, todo branco pelo aceno de despedida.

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Errático

As noites se fixam sob teu olho. As sílabas re- colhidas pelos lábios — belo, silencioso círculo — ajudam a estrela rastejante em seu centro. A pedra, um dia perto da fronte, abre-se aqui: ante todos os espalhados sóis, alma, estavas, no éter.

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Fuga da Morte

Leite negro da aurora bebemos-te à tarde bebemos-te cedo e no dia bebemos-te à noite e bebemos bebemos cavamos um túmulo no ar onde não se há de estar apertado Mora um homem na casa que lida com cobras que escreve quando descem as sombras escreve à Alemanha teu áureo...

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