Mario Benedetti

Poetas

Mario Orlando Hamlet Hardy Brenno Benedetti nasceu no dia 14 de setembro de 1920, em Paso de los Toros, Uruguai. Um dos mais importantes escritores da América Latina do século XX,  fez parte da “Geração Uruguaia de 45”, ao lado de nomes como Idea Vilariño e Juan Carlos Onetti. Poeta, romancista e ensaísta, Benedetti escreveu, entre 1945 e 2009, mais de 80 livros, tendo as sua obras traduzidas em mais de 20 idiomas. Em 1960, publicou “La Tregua”, romance que foi levado às telas de cinema pelo diretor Sergio Rénan. O filme foi indicado ao Oscar de “Melhor Filme Estrangeiro” de 1974, perdendo a estatueta para “Amarcord”, de Federico Fellini.

Por sérios problemas financeiros em sua família, Mario Benedetti precisou seguir seus estudos de maneira autodidática. Aos 18 anos, em 1938, foi morar em Buenos Aires, voltando para Montevidéu em 1941. Em 1945, passa a integrar a equipe de redação do semanário “Marcha”. Nesse mesmo período lança o seu primeiro livro de poesia “La víspera indelible”, que nunca foi reeditado. A partir da década de 50, o poeta passa também a se envolver politicamente, tornando-se um ativista social contra os governos ditatoriais da época. Em 1952, participa do movimento contra o Tratado Militar com os Estados Unidos. Em 1956, publica”Poemas de Oficina”, uma de suas obras mais conhecidas.

Em 1971 entra de vez na vida política uruguaia, como membro do “Movimiento Independiente 26 de Marzo”,  um grupo que passou a formar a coalizão de esquerda “‘Frente Amplio”. Em 1973, durante o golpe militar uruguaio, é obrigado a abandonar o país, exilando-se na Argentina, Peru e Cuba, até chegar na Espanha. Dez anos depois, em 1983, retorna a Montevidéu, e passa a fazer parte da diretoria da nova revista “Brecha” – continuação da “Marcha”, que havia sido fechada pelo governo de Juan María Bordaberry. Em 1986 recebe o Prêmio Jristo Botev da Bulgária, por sua obra poética e ensaística.

Em Abril de 2006, depois do falecimento de sua esposa Luz López, Benedetti volta para a sua residência no bairro Central de Montevidéu. Em função dessa mudança, doou parte de sua biblioteca pessoal ao Centro de Estudos Ibera-americanos da Universidade de Alicante, na Espanha.

Mario Benedetti morreu aos 88 anos, no dia 17 de Maio de 2009 em Montevidéu, cidade na qual recebeu o título de cidadão honorário, em 2002.

 

 

Poemas de Mario Benedetti:

A Ponte

Para cruzá-la ou não cruzá-la eis a ponte na outra margem alguém me espera com um pêssego e um pais trago comigo oferendas desusadas entre elas um guarda-chuva de umbigo de madeira um livro com os pânicos em branco e um violão que não sei abraçar venho com as faces da...

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Virar a Página

É meu lugar meu céu meu travesseiro meus insultos sou quem sou porque os outros são há uma história em cada amanhecer e em cada transparência do crepúsculo estive doze anos sem virar esta página esperando sua letra suas estampas imaginando coisas que não diz mas que...

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Não te Salves

Não te salves Não fiques parado À beira do caminho, não congeles o júbilo, não queiras sem vontade, não te salves agora nem nunca Não te salves Não te enchas de calma, não reserves do mundo, apenas um rincão tranqüilo não deixes cair as pálpebras pesadas como juízos,...

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Só enquanto isso

Você volta, dia de sempre, rompendo o ar justamente onde o ar tinha crescido feito muros. Você porém nos ilumina brutalmente e na simples náusea da sua claridade sabemos quando nos cairão os olhos, o coração, a pele das recordações. Claro, enquanto isso há frases, há...

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Em Pé

Continuo em pé por pulsar por costume por não abrir a janela decisiva e olhar de uma vez a insolente morte essa mansa dona da espera continuo em pé por preguiça nas despedidas no fechamento e demolição da memória não é um mérito outros desafiam a claridade o caos ou a...

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Por que Cantamos?

Se cada hora vem com sua morte se o tempo é um covil de ladrões os ares já não são tão bons ares e a vida é nada mais que um alvo móvel você perguntará por que cantamos se nossos bravos ficam sem abraço a pátria está morrendo de tristeza e o coração do homem se fez...

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