Pablo Neruda
Ricardo Eliécer Neftalí Reyes Basoalto, mais conhecido pelo pseudônimo Pablo Neruda, nasceu no dia 12 de julho de 1904, na cidade de Parral, no Chile. Considerado um dos poetas mais importantes e influentes da língua castelhana, recebeu o Prêmio Nobel de Literatura, em 1971. Dono de versos intensos, sonetos românticos e poemas humanistas, suas obras até hoje são publicadas, traduzidas e estudadas mundo afora.
O nome “Pablo Neruda” foi adotado pelo poeta quando ele tinha 17 anos. A sua inspiração foi o escritor tcheco Jan Neruda. Suas primeiras obras publicadas mostravam aspectos do amor pueril, sonhos inatingíveis e sensibilidade à flor da pele. No final da década de 20, ingressa à carreira diplomática e, ao viajar e morar em diversos países, passa a conhecer novas formas artísticas, literárias, além de ideologias políticas. Nesse período ficou amigo de escritores como o argentino Héctor Eandi e o espanhol Federico García Lorca, além do pintor Pablo Picasso, que trouxeram às obra de Neruda influências surrealistas, classificadas, pelo próprio autor, como “poesia impura”, com altos teores metafóricos e linguagens mais complexas.
Como ativista político, Pablo Neruda também sempre abordou manifestos sociais em suas obras literárias. Comprometido com as correntes ideológicas de esquerda – era membro do Partido Comunista Chileno – acabou perseguido em seu país por fazer oposição ao presidente Gabriel Gonzálvez Videla, precisando deixar o Chile por algumas vezes fugindo ou exilado. Neruda chegou a ser senador e por pouco não se candidatou à presidência.
Pablo Neruda faleceu aos 69 anos, no dia 23 de setembro de 1973, em Santiago. Embora o relatório da morte indique que poeta por causa de um câncer na próstata, existem investigações em andamento que apontam um possível assassinato por envenenamento, praticado pela ditadura de Augusto Pinochet. Depois de sua morte, foram publicadas suas memórias com o título “Confesso Que Vivi”.
Poemas de Pablo Neruda:
O Vento na Ilha
O vento é um cavalo Ouça como ele corre Pelo mar, pelo céu. Quer me levar: escuta como recorre ao mundo para me levar para longe. Me esconde em teus braços por somente esta noite, enquanto a chuva rompe contra o mar e a terra sua boca inumerável. Escuta como o vento...
O Poço
Cais, às vezes, afundas em teu fosso de silêncio, em teu abismo de orgulhosa cólera, e mal consegues voltar, trazendo restos do que achaste pelas profunduras da tua existência. Meu amor, o que encontras em teu poço fechado? Algas, pântanos, rochas? O que vês, de olhos...
Cinco Coisas
Quando um dia eu for embora Quando então me despedir Pedirei apenas silêncio E mais cinco coisas Minhas cinco verdades perfeitas Cinco coisas e nada mais. A primeira é o amor sem fim Amor pelas pessoas Pelas árvores pelas flores Amor pelos animais. A segunda é rever o...
Poema 20
Posso escrever os versos mais tristes esta noite Escrever por exemplo: A noite está fria e tiritam, azuis, os astros à distância Gira o vento da noite pelo céu e canta Posso escrever os versos mais tristes esta noite Eu a quis e por vezes ela também me quis Em noites...
Tu Eras Também uma Pequena Folha
Tu eras também uma pequena folha que tremia no meu peito. O vento da vida pôs-te ali. A princípio não te vi: não soube que ias comigo, até que as tuas raízes atravessaram o meu peito, se uniram aos fios do meu sangue, falaram pela minha boca, floresceram...
Quero Saber
Quero saber se você vem comigo a não andar e não falar, quero saber se ao fim alcançaremos a incomunicação; por fim ir com alguém a ver o ar puro, a luz listrada do mar de cada dia ou um objeto terrestre e não ter nada que trocar por fim, não introduzir mercadorias...
Acontece
Bateram à minha porta em 6 de agosto, aí não havia ninguém e ninguém entrou, sentou-se numa cadeira e transcorreu comigo, ninguém. Nunca me esquecerei daquela ausência que entrava como Pedro por sua causa e me satisfazia com o não ser, com um vazio aberto a tudo....
Se Cada dia Cai
Se cada dia cai, dentro de cada noite, há um poço onde a claridade está presa. há que sentar-se na beira do poço da sombra e pescar luz caída com paciência.
O Teu Riso
Tira-me o pão, se quiseres, tira-me o ar, mas não me tires o teu riso. Não me tires a rosa, a flor de espiga que desfias, a água que de súbito jorra na tua alegria, a repentina onda de prata que em ti nasce. A minha luta é dura e regresso por vezes com os olhos...
Poetas similares a Pablo Neruda
- Vinícius de Moraes
- Jorge Amado
- José Saramago
- Luís de Camões
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