John Donne

Poetas

John Mayra Donne nasceu por volta de 19 de junho 1572, em Londres, Inglaterra. Considerado o maior representante dos poetas metafísicos no século XVII , trouxe uma forma engenhosa de escrever poemas, bem diferente da literatura clássica, apresentando linguagem extremamente vibrante, abuso de metáforas, além do uso de imagens em abordagens mais íntimas, sensuais e realistas. Apesar disso, suas obras só foram publicadas em 1633 – dois anos após a sua morte – e imortalizada quase 300 anos depois por T. S. Eliot.

De formação católica e posteriormente anglicana, John Donne representou em seu estilo de vida uma extensão da sua obra literária. Entre versos e prosas, escreveu sonetos, poemas amorosos e religiosos, traduções do latim, epigramas, elegias, canções, sátiras e sermões, utilizando liguagem coloquial, paradoxial, trocadilhos e palavras monossilábicas que fugiam dos padrões métricos convencionais e que buscavam sempre uma qualidade melódica (rimas, assonâncias e aliterações) à leitura.

Algumas de suas primeiras obras chegaram a fazer certo sucesso em Londres, apesar de circularem apenas por seus manuscritos. Porém, mesmo amparado a uma educação tradicional, nunca soube administrar seus bens – gastou boa parte de sua considerável herança com mulheres, literatura, hobbies e viagens – vivendo por muitos anos na pobreza e ajudado por amigos.

Em relação à obra poética de John Donne podemos, de maneira geral, dividi-la em duas partes distintas: durante a sua juventude e na velhice, depois de se tornar pastor anglicano, a partir de 1615. Na primeira fase, o poeta apresenta um brilhante conhecimento da sociedade inglesa, com análises e críticas profundas. Nesse período, ele apresenta grande rebeldia contra a religião e também fortes pensamentos eróticos, especialmente através das elegias.

Já na segunda etapa, Donne demonstra devoção à igreja em sermões profundamente mundanos e poemas religiosos. Contudo, nesse período, ele também passou a apresentar um tom mais melancólico, sombrio e piedoso em suas obras. Já no final da vida, ele produziu trabalhos que desafiavam a morte e o medo que ela inspirava em muitos homens, baseados na crença do “juízo final”.

No Brasil, John Donne passou a ganhar destaque a partir da década de 70, quando Augusto de Campos trouxe a sua obra para o português. Essa tradução inspirou de imediato diversos músicos, tais como Caetano Veloso, que gravou a canção “Elegia” para o disco “Cinema Transcendental”, de 1979.

John Donne faleceu no 31 de março de 1631, em Londres, Inglaterra.

Poemas de John Donne:

Soneto Sacro XIV

Força meu peito, Deus trino; não é bastanteQue apenas batas, infles, brilhes e o remendes;Pra erguer-me, me destrua e Tua força empreendeE quebra, sopra, queima; renova-me neste instante. Qual cidade usurpada de outro governante,Me esforço em receber-Te, mas, oh!, é...

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Elegia – Indo para o Leito

Vem, Dama, vem que eu desafio a paz;Até que eu lute, em luta o corpo jaz.Como o inimigo diante do inimigo,Canso-me de esperar se nunca brigo.Solta esse cinto sideral que vela,Céu cintilante, uma área ainda mais bela.Desata esse corpete constelado,Feito para deter o...

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A Pulga

Repara nesta pulga e aprende bemQuão pouco é o que me negas com desdém.Ela sugou-me a mim e a ti depois,Mesclando assim o sangue de nós dois.E é certo que ninguém a isto aludoComo pecado ou perda de virtude.Mas ela goza sem ter cortejadoE incha de um sangue em dois...

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