Mário de Sá-Carneiro

Mário de Sá-Carneiro

por abr 1, 2019Poetas0 Comentários

Mário de Sá-Carneiro nasceu no dia 19 de maio de 1890, em Lisboa, Portugal. Considerado um dos principais poetas portugueses de todos os tempos, fez parte do movimento modernista em seu país, ao lado do grande amigo e confidente Fernando Pessoa.

A relação familiar de Mário de Sá-Carneiro foi determinante para sua personalidade melancolica e autodestrutiva. Sua mãe faleceu quando ele tinha apenas 2 anos e seu pai o deixou sob cuidados dos avós, fatos que nunca foram bem aceitos pelo poeta durante toda a sua vida.

Aos 21 anos, Mário saiu de Lisboa para ingressar a tradicional Faculdade de Direito de Coimbra. Nesse período, em 1912, conheceu Fernando Pessoa e passou a se interessar mais por literatura e a escrever poesia. Desde o início, as obras de Mário de Sá-Carneiro expressam toda a sua dor, uma profunda melancolia, frustrações e o sentimento de abandono. 

Ao lado de Fernando Pessoa, em 1915, Mário de Sá-Carneiro formou um grupo de poetas com Raul Leal, Luís de Montalvor, Almada Negreiros e o brasileiro Ronald de Carvalho, para fundar a revista “Orpheu”, primeira publicação a divulgar os ideais modernistas e as tendências culturais que circulavam na Europa.  Por influência de Pessoa, Mário aderiu a correntes vanguardistas, como o interseccionismo e o futurismo, exprimindo em sua poesia toda a sua dificuldade em assumir-se como adulto e de transpor as barreiras entre o real e o imaginário.

Na década de 1920 Mário foi morar em Paris, para estudar na Universidade de Sorbonne. O período na França, no entanto, aumentou sua natureza autodrestutiva, entregando-se a uma vida desregrada, fato que agravou sua frágil saúde emocional. Depressivo, abandonou os estudos e intensificou o contato com Fernando Pessoa, relatando em diversas cartas, escritas em formas sarcásticas, o desejo de suicídio.

No dia 26 de abril de 1926, hospedado em um hotel na cidade de Nice, Mário de Sá-Carneiro cumpriu suas intenções de morte ao consumir vários frascos de estricnina. Dias antes, atormentado pela ideia suicida, escreveu uma última carta a Fernando Pessoa, despedindo-se do grande amigo.

Poemas de Mário de Sá-Carneiro:

Esperança

Esperança:isto de sonhar bom para dianteeu fi-lo perfeitamente,Para diante de tudo foi bombom de verdadebem feito de sonhopodia segui-lo como realidade Esperança:isto de sonhar bom para dianteeu sei-o de cor.Até reparo que tenho só esperançanada mais do que...

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Último Soneto

Que rosas fugitivas foste ali!Requeriam-te os tapetes, e vieste...--- Se me dói hoje o bem que me fizeste,É justo, porque muito te devi. Em que seda de afagos me envolviQuando entraste, nas tardes que apareceste!Como fui de percal quando me desteTua boca a beijar, que...

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Caranquejola

Ah, que me metam entre cobertores,E não me façam mais nada!...Que a porta do meu quarto fique para sempre fechada,Que não se abra mesmo para ti se tu lá fores! Lã vermelha, leito fofo. Tudo bem calafetado...Nenhum livro, nenhum livro à cabeceira ...Façam apenas com...

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Como Eu não Possuo

Olho em volta de mim. Todos possuem - Um afecto, um sorriso ou um abraço. Só para mim as ânsias se diluem E não possuo mesmo quando enlaço. Roça por mim, em longe, a teoria Dos espasmos golfados ruivamente; São êxtases da côr que eu fremiria, Mas a minh'alma pára e...

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Quási

Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse àquem... Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído Num baixo mar enganador de espuma; E o grande sonho despertado em bruma, O...

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Dispersão

Perdi-me dentro de mimPorque eu era labirintoE hoje, quando me sinto.É com saudades de mim. Passei pela minha vidaUm astro doido a sonhar,Na ânsia de ultrapassar,Nem dei pela minha vida... Para mim é sempre ontem,Não tenho amanhã nem hoje:O tempo que aos outros...

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