Álvaro de Campos

Poetas

Álvaro de Campos, um dos heterônimos mais conhecidos de Fernando Pessoa, nasceu, segundo a biografia feita pelo próprio poeta, no dia 15 de outubro de 1890, em Tavira, Portugal. Considerado por Pessoa como um “filho indisciplinado da sensação”, a obra poética de Campos caracteriza-se pelo sensacionismo entre a realidade da vida e a base da arte.

Campos surge como uma necessidade impulsiva de Pessoa para escrever. Ele faz uma antagonismo com outro heterônimo famoso do escritor, Ricardo Reis, apesar dos dois serem discípulos de Alberto Caeiro. O “eu” do poeta tenta integrar e unificar tudo o que tem ou teve existência ou possibilidade de existir. Fernando Pessoa declarou assim de Álvaro de Campos :

“Era um engenheiro de educação inglesa e origem portuguesa, mas sempre com a sensação de ser um estrangeiro em qualquer parte do mundo”.

Em relação à literatura, Álvaro de Campos foi o único heterônimo de Pessoa a realmente manifestar fases poéticas diferentes ao longo da sua obra. Começa a sua trajetória como um decadentista (influenciado pelo Simbolismo), mas, influenciado por Marinetti,  logo adere ao Futurismo: é a chamada Fase Sensacionista, em que produz, com um estilo assemelhado ao de Walt Whitman.

Adepto do versilibrimo, Álvaro de Campos utiliza uma linguagem eufórica repletas de onomatopeias e que abordam, sobretudo, a exaltação do Mundo moderno, o progresso técnico e científico, a evolução e industrialização da Humanidade. Após uma série de desilusões com a existência, assume uma veia niilista ou intimismo, conhecida como “Fase Abúlica”, onde notabilizou alguns dos seus mais célebres poemas, como “Tabacaria”, escrito em 1928.

 

Poemas de Álvaro de Campos:

A Melhor Maneira de Viajar É Sentir

Afinal, a melhor maneira de viajar é sentir. Sentir tudo de todas as maneiras. Sentir tudo excessivamente, Porque todas as coisas são, em verdade, excessivas E toda a realidade é um excesso, uma violência, Uma alucinação extraordinariamente nítida Que vivemos todos em...

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Aniversário

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos, Eu era feliz e ninguém estava morto. Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos, E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer. No tempo em que festejavam o dia dos meus...

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Ah! Ser Indiferente!

Ah! Ser indiferente!É do alto do poder da sua indiferençaQue os chefes dos chefes dominam o mundo.Ser alheio até a si mesmo!É do alto do sentir desse alheamentoQue os mestres dos santos dominam o mundo.Ser esquecido de que se existe!É do alto do pensar desse...

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  1. Alberto Caeiro » Recanto do Poeta - […] relação à fisionomia e suas caracteríticas, em relato de Álvaro de Campos, Alberto Caeiro tinha pele muito clara, olhos…

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