Ferreira Gullar

Poetas

José de Ribamar Ferreira, mais conhecido pelo pseudônimo Ferreira Gullar, nasceu no dia 10 de setembro de 1930, em São Luís, Maranhão. Considerado um dos maiores poetas brasileiros do século XX, foi dos percursores da “Poesia Concreta”, liderando o movimento literário “Neoconcreto”. Recebeu diversos prêmios nacionais e internacionais, destacando-se o Prêmio Camões, em 2010. No dia 9 de outubro de 2014, Ferreira Gullar foi eleito para a cadeira nº 37 da Academia Brasileira de Letras (ABL).

Ferreira Gullar começou a escrever poesia muito jovem, com 13 anos de idade. Aos 18, começou a assinar com o pseudônimo e publicou seu primeiro livro “Um Pouco Acima do Chão”. Logo após, mudou-se para o Rio de Janeiro para trabalhar como jornalista. Paralelamente, começa a introduzir em suas obras poéticas grandes influências do “Movimento Concretista” que nascia em São Paulo nos anos 50, através de nomes como Haroldo de Campos, Augusto de Campos e Décio Pignatari.

A “Poesia Concreta” se caracteriza pela liberdade dos versos em um conceito bastante visual e de estrutura que poder ser métrica ou abstrata. Em 1954 Ferreira Gullar publica o livro “A Luta Corporal”, obra que colocou o autor no patamar de vanguardista, tornando-o nacionalmente conhecido e um dos principais nomes desse movimento literário. Em 1956, depois de participar da primeira exposição de Poesia Concreta, em São Paulo, rompe os laços com os concretistas para organizar o grupo “Neoconcreto”, junto com Lígia Clark e Hélio Oiticica.

Nesse novo modelo, Ferreira Gullar  atinge uma construção própria de expressão se aproximando ao populismo e ao pensamento progressista. Isso o torna uma forte voz política e social da época. Presidiu o Centro Popular de Cultura da UNE em pleno golpe militar, em 1964. Filiado ao Partido Comunista (PC) foi preso durante a ditadura sendo exilado durante os anos de 1971 e 1977 em Paris e depois Buenos Aires. Em 1976, na Argentina, escreveu “Poema Sujo” considerado a sua principal obra da carreira.

Ferreira Gullar faleceu no dia 4 de dezembro de 2016, no Rio de Janeiro.

Poemas de Ferreira Gullar:

Madrugada

Do fundo de meu quarto, do fundo de meu corpo clandestino ouço (não vejo) ouço crescer no osso e no músculo da noite a noite a noite ocidental obscenamente acesa sobre meu país dividido em classes.

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Neste Leito de Ausência

Neste leito de ausência em que me esqueço desperta o longo rio solitário: se ele cresce de mim, se dele cresço, mal sabe o coração desnecessário. O rio corre e vai sem ter começo nem foz, e o curso, que é constante, é vário. Vai nas águas levando, involuntário, luas...

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No Corpo

De que vale tentar reconstruir com palavras O que o verão levou Entre nuvens e risos Junto com o jornal velho pelos ares O sonho na boca, o incêndio na cama, o apelo da noite Agora são apenas esta contração (este clarão) do maxilar dentro do rosto. A poesia é o...

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Dois e Dois: Quatro

Como dois e dois são quatro sei que a vida vale a pena embora o pão seja caro e a liberdade pequena Como teus olhos são claros e a tua pele, morena como é azul o oceano e a lagoa, serena como um tempo de alegria por trás do terror me acena e a noite carrega o dia no...

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Traduzir-se

Uma parte de mim é todo mundo: outra parte é ninguém: fundo sem fundo. Uma parte de mim é multidão: outra parte estranheza e solidão. Uma parte de mim pesa, pondera: outra parte delira. Uma parte de mim almoça e janta: outra parte se espanta. Uma parte de mim é...

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