Lila Ripoll

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Poetas

Lila Ripoll nasceu no dia 12 de agosto de 1905, em Quaraí, Rio Grande do Sul. Poeta e pianista, foi uma das vozes femininas mais importantes de sua geração, fazendo parte da chamada “Geração de 30” de escritores, artistas e intelectuais porto-alegrenses, tais como Carlos Nejar e Armindo Trevisan. Militante política e ativista cultural, publicou diversos livros entre poemas, ensaios e traduções.

Em 1927, aos 22 anos, Lila Ripoll muda-se para Porto Alegre para estudar piano no Conservatório de Música, do então Instituto Livre de Belas Artes, atualmente Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Nesse período, ela passa a publicar os seus primeiros poemas na Revista Universitária.

Em 1934, o seu primo Waldemar Ripoll, jornalista e membro do Partido Libertador é assassinado, por ordem de pessoas ligadas ao governador Flores de Cunha. Esse crime fez com que Lila passasse a ter maior engajamento político e nas causas comunistas, participando das lutas da Frente Intelectual do Partido Comunista e do Sindicato dos Metalúrgicos.

Em relação as suas obras literárias, Lila Ripoll publica o seu primeiro livro em 1938, “De Mãos Postas”, muito bem recebido pela crítica gaúcha. Três anos depois, apresentou “Céu Vazio”, vencedor do Prêmio Olavo Bilac, da Academia Brasileira de Letras.

Em 1949, Lila Ripoll ficou viúva e, mesmo deprimida, continuou a militância política e em campanhas pacifistas. Chegou a se candidatar pelo Partido Comunista em 1950, mas não foi eleita. Em 1951, colaborou na revista Horizonte publicando poetas latino-americanos como Pablo Neruda e Gabriela Mistral. No mesmo ano, publicou “Novos Poemas”, que lhe outorgou o Prêmio Pablo Neruda da Paz, em Praga, na Tchecoslováquia.

Em 1954, o seu poema “Primeiro de Maio”, que tem como tema o massacre ocorrido no Dia do Trabalhador na cidade de Rio Grande, foi publicado e repercutiu de tamanha forma que a poeta passou a ser vista como “subversiva”. Logo após o golpe militar de 1964, Lila foi presa, mas rapidamente libertada em função de sua saúde — sofria de um estado avançado de câncer. Sua última obra poética foi Águas Móveis (1965).

Em homenagem à poeta, em 2005 criou-se o “Prêmio Lila Ripoll de Poesia”, promovido pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. O concurso é aberto a todas as pessoas que desejarem se expressar sobre temas vinculados às causas sociais e ao gênero.

Lila Ripoll faleceu no dia 7 de fevereiro de 1967, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul.

Poemas de Lila Ripoll:

Grito

Não, não irei sem grito. Minha voz nesse dia subirá. E eu me erguerei também. Solitária. Definida. As portas adormecidas abrirão passagem para o mundo Meus sonhos, meus fantasmas, meus exércitos derrotados, sacudirão o silêncio de convenção e as máscaras de piedade...

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Poema VI

Hoje pensar me dói como ferida. O próprio poema não é poema. Tem qualquer coisa de trágico. De pétalas descidas. De véu cobrindo o retrato de um morto. Hoje pensar me dói como ferida. Mas é uma imposição - pensar. Não quero estado de graça, nem aceito determinismo. Só...

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Fita Verde

Prendi uma fita bem verde nos meus cabelos escuros. Fiquei quase uma menina capaz de subir nos muros. Troquei de alma e de idade e brinquei entre as crianças. Meus pesares voaram longe... e as minhas desesperanças. Na roda da "Cirandinha" ninguém cantou como eu....

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