Gabriela Mistral

por nov 30, 2018Poetas0 Comentários

Lucila de Maria del Perpetuo Socorro Godoy Alcayaga, mais conhecida pelo pseudônimo Gabriela Mistral, nasceu no dia 7 de abril de 1889, em Vicuña, no Chile. Primeiro nome da América-Latina a vencer o Prêmio Nobel de Literatura, em 1945, é um ícone da literatura, sendo considerada uma das maiores poetas de todos os tempos. Educadora e diplomata, morou por vários anos em Petrópolis, no Rio de Janeiro, fazendo amizade com vários escritores do país, como Cecília Meireles – com quem escreveu um livro -, Vinicius de Moraes, Mário de Andrade e Manuel Bandeira.

O grande marco da vida e que influenciou muito a obra de Gabriela Mistral foi o suicídio de seu namorado, quando ela tinha apenas 18 anos de idade. Em 1914, aos 25 anos, ao ganhar um concurso de poesia nos Juegos Florais de Santiago, passou a adotar o pseudônimo “Gabriela Mistral”, nome composto em homenagem aos poetas italiano Gabriele D’Annunzio e o francês Frédéric Mistral. Em 1922, publicou seu primeiro livro de poesias, “Desolación”, onde incluiu o poema “Dolor”, no qual fala da perda de seu amado.

Dona de uma obra mística e repleta de imagens singulares e de lirismo, Gabriela Mistral sempre esteve atenta aos problemas sociais de sua época. Seus poemas abordam temas humanitários, como o amor pelos mais humildes, a condição da mulher na América Latina, a valorização do índio, a educação e a necessidade de diminuir as desigualdades sociais no continente. Entre seus poemas destacam-se: “Gotas de Fel”, “Eu Não Sinto a Solidão” e “Dá-me Tua Mão”.

Gabriela Mistral faleceu no dia 10 de janeiro de 1957, em Nova Iorque, Estados Unidos.

Poemas de Gabriela Mistral:

Ausência

Vai-se de ti meu corpo gota a gota. Vai-se minha faca em um óleo surdo; Vão-se minhas mãos em azougue solto; Vão-se meus pés em dois tempos de polvo. Vai-te tudo, se nos vai tudo! Vai-se minha voz, que era para ti um sino fechada a quanto não somos nós mesmos. Vão-se...

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Coisas

1 Amo as coisas que nunca tive como as outras que já não tenho. Eu toco uma água silenciosa, parada em pastos friorentos, que sem um vento tiritava na horta que era minha horta. A vejo como a via; vem-me um estranho pensamento, e brinco, lenta, com essa água como com...

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A Chuva Lenta

Esta água medrosa e triste, como criança que padece, antes de tocar a terra, ……….desfalece. Quietos a árvore e o vento, e no silêncio estupendo, este fino pranto amargo, ……….vertendo! Todo o céu é um coração aberto em agro tormento. Não chove: é um sangrar longo ……….e...

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Dá-me Tua Mão

Dá-me tua mão, e dançaremos; dá-me tua mão e me amarás. Como uma só flor nós seremos, como uma flora, e nada mais. O mesmo verso cantaremos, no mesmo passo bailarás. Como uma espiga ondularemos, como uma espiga, e nada mais. Chamas-te Rosa e eu Esperança; Porém teu...

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Gotas de Fel

Não cantes: sempre fica à tua língua apegado um canto: o que faltou ser enviado. Não beijes: sempre fica, por maldição estranha, o beijo a que não chegam as entranhas. Reza, reza que é bom; mas reconhece que não sabes, com tua língua avara, dizer um só Pai Nosso que...

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A Casa

A mesa, filho, está posta, em brancura quieta de nata, e em quatro muros azuleja, reluzindo, a cerâmica. Este é o sal, este o óleo e, ao centro, o Pão que quase fala. Ouro mais lindo que ouro do Pão não está nem em fruta nem em giesta, e dá seu cheiro de espiga e...

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