Conceição Evaristo

Poetas

Maria da Conceição Evaristo de Brito nasceu no dia 29 de novembro de 1946, em Belo Horizonte, Minas Gerais. Uma das grandes vozes da poesia brasileira na atualidade, faz de suas obras a extensão de sua militância social e intensiva busca pela valorização dos movimentos negros no país. Graduada em Letras pela UFRJ e mestra em Literatura Brasileira pela PUC-Rio, também é doutora em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Em 2018, tentando ser a primeira escritora negra a fazer parte da Academia Brasileira de Letras, candidatou-se à cadeira nº 7 da ABL, mas não foi eleita.

De origem pobre e sem maiores recursos para estudar, aos 25 anos Conceição Evaristo deixou Belo Horizonte anos para tentar a vida no Rio de Janeiro. Trabalhou como empregada doméstica até conseguir se formar, tornando-se professora da rede pública de ensino. Na década de 1980, conheceu o grupo “Quilombhoje”, virando uma participante ativa dos movimentos de exaltação à cultura negra em nosso país.

Em 1990, com obras publicadas na série “Cadernos Negros”, Conceição Evaristo faz a sua estreia como escritora. Com um jeito bem próprio de escrever textos não-lineares, onde os períodos dos tempos (passado e presente) praticamente se entrelaçam, os poemas de Conceição Evaristo, de forma muito sensível e lírica, abordam suas recordações mais singelas, mas sem perder o foco de denúncia da condição social dos negros. Além do Brasil, os livros de Conceição Evaristo ganharam evidência ao redor do mundo, tendo publicações na Alemanha, Inglaterra e Estados Unidos.

A 18 de junho de 2018, Conceição Evaristo oficializou candidatura à Academia Brasileira de Letras, entregando uma carta de autoapresentação para concorrer à cadeira de número 7, originalmente ocupada por Castro Alves. A eleição ocorreu em 30 de agosto e acabou nomeando o cineasta Cacá Diegues à vaga. Conceição Evaristo recebeu apenas um voto.

Atualmente, Conceição Evaristo leciona, como professora visitante, na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

 

Poemas de Conceição Evaristo:

Não, Nós nos Negamos a Acreditar

(Para Marielle Franco) Não, nós nos negamos a acreditar que um corpo tombe vazio e se desfaça no espaço feito poeira ou fumaça adentrando-se nos nada dos nadas, nadificando-se. Por isso, na solidão desse banzo antigo, rememorador de todas e de todos, os que de nós já...

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Vozes-Mulheres

A voz de minha bisavó ecoou criança nos porões do navio. ecoou lamentos de uma infância perdida. A voz de minha avó ecoou obediência aos brancos-donos de tudo. A voz de minha mãe ecoou baixinho revolta no fundo das cozinhas alheias debaixo das trouxas roupagens sujas...

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Menina

Menina, eu queria te compor Em verso, Cantar os desconcertantes Mistérios Que brincam em ti, Mas teus contornos me Escapolem. Menina, meu poema primeiro, Cuida de mim.

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Filhos na Rua

O banzo renasce em mim. Do negror de meus oceanos a dor submerge revisitada esfolando-me a pele que se alevanta em sóis e luas marcantes de um tempo que aqui está. O banzo renasce em mim e a mulher da aldeia pede e clama na chama negra que lhe queima entre as pernas o...

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Eu-Mulher

Uma gota de leite me escorre entre os seios. Uma mancha de sangue me enfeita entre as pernas. Meia palavra mordida me foge da boca. Vagos desejos insinuam esperanças. Eu-mulher em rios vermelhos inauguro a vida. Em baixa voz violento os tímpanos do mundo. Antevejo....

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De Mãe

O cuidado de minha poesia aprendi foi de mãe, mulher de pôr reparo nas coisas, e de assuntar a vida. A brandura de minha fala na violência de meus ditos ganhei de mãe, mulher prenhe de dizeres, fecundados na boca do mundo. Foi de mãe todo o meu tesouro veio dela todo...

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