Nicanor Parra

Poetas

Nicanor Parra nasceu no dia 5 de setembro de 1914, em San Fabián de Alico, no Chile. Irmão mais velho da cantora Violeta Parra, é considerado um dos mais importantes poetas latino-americanos de todos os tempos ao revolucionar a literatura de seu país com a criação da “antipoesia”, manifesto poético que exalta a linguagem coloquial e direta. Pelo conjunto da obra, recebeu o “Prêmio Cervantes”, oferecido pelo Ministério da Cultura da Espanha, em 2011.

Influenciado pelas obras de Federico García Lorca e Walt Whitman, Nicanor Parra publicou em 1937 o seu primeiro livro, “Cancionero sin nombre”, com 29 poemas. Porém, somente a partir de 1957, com a publicação do livro “Poemas y Antipoemas”, o autor conseguiu manifestar o seu desejo de expor suas reflexões sobre o papel da poesia no tempo e na sociedade.

Dentre as obras que o inspiraram a escrever os “antipoemas”, pode-se citar os filmes de Charles Chaplin, obras surrealistas e os escritos de Franz Kafka, T.S Eliot, Ezra Pound, John Donne e William Blake.

Apesar de não ser considerado militante ou político, o antipoema logo assumiu um caráter subversivo na literatura, sendo visto como um novo instrumento de acusações contra as deformações das ideologias. O sistema antipoético inclui alguns elementos bem específicos, como uma personagem antiheróica que observa no interior das casas ou se desloca por locais públicos de espaços urbanos; o humor, a ironia, o sarcasmo, que permitem perceber o que está oculto.

Abusando da linguagem prosaica, repletas de gírias faladas no dia a dia, a entonação e sintaxe dos antipoemas também não obedecem a um modelo literário, tendo sua construção fragmentada, apresentando dissonâncias que evocam montagem ou colagem.

Nicanor Parra teve seu nome por diversas vezes lembrado ao Prêmio Nobel de Literatura, no entanto nunca foi vencedor. Durante a sua vida, ele atribuiu às conspirações de uma ex-namorada sueca, que tinha grande influência na Academia.

Nicanor Parra faleceu aos 103 anos, no dia 23 de janeiro de 2018, La Reina, Chile.

Poemas de Nicanor Parra:

O Homem Imaginário

O homem imagináriovive numa mansão imagináriarodeada de árvores imagináriasà margem de um rio imaginário Dos muros que são imagináriospendem antigos quadros imagináriosirreparáveis rachaduras imagináriasque representam feitos imagináriosocorridos em mundos...

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Pai Nosso

Pai nosso que estás no céuCheio de todo tipo de problemasCom o cenho franzidoComo se fosses um homem vulgar e comumNão penses em nós. Compreendemos que sofresPorque não podes consertar as coisas.Sabemos que o Demônio não te deixa tranquiloDesconstruindo o que...

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A Montanha Russa

Durante meio séculoA poesia foiO paraíso do tonto solene.Até que vim euE me instalei com a minha montanha russa. Subam, se vos apetecer.Claro que eu não me responsabilizo se saíremA deitar sangue da boca e do nariz.

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Três Poesias

1.Não me resta mais nada por dizerTudo o que tinha para dizerJá foi dito não sei quantas vezes. 2.Perguntei não sei quantas vezesMas ninguém responde minhas perguntas.É absolutamente necessárioQue o abismo responda de uma vezPorque já não resta muito tempo. 3.Só uma...

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Não Creio na Via Pacífica

não creio na via violentagostaria de crerem algo – mas não creiocrer é crer em Deuso que eu façoé encolher os ombrosperdoem-me a franquezanão creio sequer na Via Láctea

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Jovens

Escrevam o que queiram.No estilo que lhes pareça melhor.Passou demasiado sangue sob as pontespara continuar-se a crerque possa seguir-se um só caminho. Em poesia tudo é permitido. Com a condição expressaé evidentede superar-se o papel em branco.

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