Roberto Piva

Poetas

Roberto Lopes Piva nasceu a 25 de setembro de 1937, em São Paulo. Considerado um dos autores mais originais da sua geração, foi um dos únicos poetas brasileiros resenhados pela revista francesa “La Bréche – Action Surrealisté”, dirigida por André Breton. Suas obras foram incluídas em importantes antologias, como a “26 Poetas Hoje”, de Heloísa Buarque de Holanda, e “Os cem melhores poemas brasileiros do século XX”, de Ítalo Moriconi.

Publicado primeiramente na Antologia dos Novíssimos, de Massao Ohno, em 1961, Roberto Piva logo se destacou como uma das vozes mais inovadoras da poesia paulistana. Adepto do surrealismo e influenciado pela geração beat norte-americana, ele consegue descrever a cidade de São Paulo com um olhar extremamente erotizado, acompanhado pela experiência com drogas alucinóginas.

Estudioso, a obra de Piva também passa pelo Romantismo e o Simbolismo. Nomes como Murilo Mendes, Jorge de Lima, Álvares de Azevedo, Arthur Rimbaud e Oscar Wilde, foram constantemente citados em seus poemas. Poetas mais canônicos, como Fernando Pessoa, Federico Garcia Lorca, Walt Whitman e, principalmente, Dante Alighieri, também inspiraram sua poesia.

O seu primeiro livro, “Paranóia”, publicado em 1963, marca também uma forte presença de homoerotismo. Por causa disso, Piva é frequentemente classificado como um “poeta maldito”,  embora nunca tivesse participado da chamada “Geração mimeógrafo”, utilizando meios “marginais” de divulgação.

Roberto Piva faleceu no dia 3 de julho de 2010, em São Paulo.

Poemas de Roberto Piva:

No Parque Ibirapuera

Nos gramados regulares do Parque IbirapueraUm anjo da Solidão pousa indeciso sobre meus ombrosA noite traz a lua cheia e teus poemas, Mário de Andrade, regam minha imaginaçãoPara além do parque teu retrato em meu quarto sorri para a banalidade dos móveisTeus versos...

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Poema Porrada

Eu estou farto de muitacoisanão me transformareiem subúrbionão serei uma válvula sonoranão serei pazeu quero a destruiçãode tudo que é frágil:cristãos fábricas paláciosjuízes patrões e operáriosuma noite destruída cobre os dois sexosminha alma sapateia feito loucaum...

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A Piedade

Eu urrava nos poliedros da Justiça meu momentoabatido na extrema paliçadaos professores falavam da vontade de dominar e daluta pela vidaas senhoras católicas são piedosasos comunistas são piedososos comerciantes são piedosossó eu não sou piedosose eu fosse piedoso meu...

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