André Breton

por maio 13, 2019Poetas0 Comentários

André Breton nasceu no dia 19 de fevereiro de 1896, em Tinchebray, Orne, na França. Considerado um dos mais importantes poetas franceses do século XX, foi precursor do surrealismo, sendo líder do grupo tanto na literatura quanto na arte. Ávido militante político, também usou do movimento para lutar contra dogmas que considerava repressivos.

Em 1915, quando foi convocado para servir no centro neuropsiquiátrico de Nantes, conheceu o escritor e desenhista francês, Jacques Vaché, que o influenciou a enxergar novas formas de pensar literatura. Nesse período participou do movimento Dadaísta, onde descobriu a teoria freudiana, que buscava associações espontâneas como revelação do inconsciente. Mais tarde, essa concepção seria a base de formação da estética surrealista que iniciaria quatro anos depois.

Em 1919, André Breton publicou o seu primeiro livro,  “Mont-de-Pieté”,  onde apresentava uma coletânea de seus primeiros poemas, ainda ligados à estética pós-simbolista de Guillaume Apollinaire. Contudo, nesse mesmo período, junto com os poetas Louis Aragon e Philippe Soupault, ele lançou a revista “Littérature” (Literatura), que daria início a movimento surrealista.

O predomínio da nova estética surrealista acontece em 1920, com a publicação de seu segundo livro, intitulado “Os Campos Magnéticos”. Em 1924, Breton passa a fixar-se apenas ao surrealismo, rompendo de vez com o Dadaísmo. Brigado com Tristan Tzara (um dos iniciadores do Dadaísmo), acusou o ex-amigo de conservadorismo.

Para “oficializar” os ideiais do surrealismo, André Breton escreve o texto fundamental do novo movimento “O Manifesto do Surrealismo”, onde reivindicava três ideias básicas: o amor, a liberdade e a poesia, sob uma nova ótica que abolia a ditadura da lógica e da moral, pregando a liberdade total da imaginação como base para a libertação do ser humano.

Entre 1927 e 1935, Breton aumenta a sua militância política ao ingressar no Partido Comunista. Inspirado nos conceitos de “mudança de vida”, de Arthur Rimbaud, e de “transformação do mundo”, de Karl Marx, lançou o segundo manifesto surrealista, que respondia a vontade de inserir o Surrealismo em uma vertente social e revolucionária. No entanto, essa visão causou grandes entraves dentro do próprio movimento, principalmente com Salvador Dalí, que acabou expulso do grupo, em 1934.

Em 1935, André Breton rompe com o Partido Comunista. Em 1938, em uma missão cultural no México, conhece Trotski, cujas ideias o influenciaram a publicar o manifesto “A Favor de uma Arte Revolucionária Independente”, visando a criação de uma federação internacional de arte revolucionária e independente.

Em 1941, fugindo às pressões do governo de Vichy, asila-se nos Estados Unidos. Retorna a França em 1946 e passa a dedicar-se à divulgação da arte surrealista, através de exposições, publicações de revistas e realização de debates públicos. Ao mesmo tempo, mostrava oposição ferrenha ao realismo na literatura e, em especial, a Albert Camus.

André Breton faleceu no dia 28 de setembro de 1966, em Paris, na França.

Poemas de André Breton:

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