Cassiano Ricardo

por jul 24, 2019Poetas0 Comentários

Cassiano Ricardo Leite nasceu no dia 26 de julho de 1894 em São José dos Campos, São Paulo. Representante do modernismo de tendências nacionalistas, foi um dos primeiros nomes desse movimento a ser eleito membro da Academia Brasileira de Letras, tomando posse da cadeira número 31, em 1937. A partir da década de 1950 também teve participação destacada como precursor da poesia concreta no país.

Cassiano Ricardo formou-se em direito no Rio de Janeiro, em 1917. Porém, de volta para São Paulo começou a trabalhar como jornalista e também passou a se dedicar à literatura. Durante a Semana de Arte Moderna, em 1922, aproximou-se de nomes como Menotti Del Picchia e Plínio Salgado. Em 1928 publicou “Martim Cererê”, experiência modernista primitivista-nacionalista na linha mitológica de “Macunaíma” (de Mário de Andrade) e “Cobra Norato” (de Raul Bopp), que o consolidou como escritor.

Em 1950, Cassiano Ricardo foi eleito presidente do Clube da Poesia de São Paulo. A partir dessa década, aproxima-se de um novo grupo, denominado concretistas, mostrando o seu espírito de vanguarda. Porém, nesse período, quando era um dos editores da revista “Invenção”, sentiu rejeição do grupo, por uma oposição antiga a Oswald de Andrade. Além disso, Cassiano considerava os poetas concretistas “radicais demais”. Estes desacordos levaram ao seu afastamento do movimento.

Com uma peculiar capacidade de se reinventar, a obra poética de Cassiano Ricardo passa por momentos distintos; inicialmente apresenta-se como um poeta Parnasiano, adepto do Simbolismo. Em seguida, com a fase modernista, explora temas nacionalistas, esmiuçando, aos poucos, a epopeia bandeirante. Por último, produzindo poemas tipográficos e visuais, explorou temas mais intimistas, do cotidiano, e mais próximos da realidade.

Cassiano Ricardo faleceu em 14 de janeiro de 1974, no Rio de Janeiro.

Poemas de Cassiano Ricardo:

A Canção Mais Recente

O poetacom a sua lanternamágica está sempreno começo das coisas.É como a água, eterna-mente matutina. Pouco importa a noitelhe ponha a penado silêncio na asa.Ele tem a manhãem tudo quanto faça.Alem disso o amanhãnunca deixará de ter pássa-ros.

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Soneto da Ausente

É impossível que na furtiva claridadeque te visita sem estrela nem lua,não percebas o reflexo da lâmpadacom que te procuro pelas ruas da noite. É impossível que, quando choras, não vejasque uma de tuas lágrimas é minha.É impossível que, com o teu corpo de água...

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Lua Cheia

Boião de leiteque a Noite levacom mãos de trevapra não sei quem beber. E que, embora levadomuito devagarzinho,vai derramando pingos brancospelo caminho...

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